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    Da camisa de força para a humanização.
     Desde muitos anos as doenças mentais são tratadas como tabu. As primeiras civilizações colombianas tinham como solução para os transtornos psicológicos a "trepanação" (perfuração do crânio). Na Idade Média, a "loucura" era sinônimo de demonização e os afetados precisavam ser exorcizados. Mais tarde, estes foram presos em manicômios para serem estudados e tratados - apenas com medicamentos. Somente depois do Cientificismo, tal assunto foi reconhecido como patologia. Infelizmente, a sociedade atual ainda possui uma postura preconceituosa diante de um cidadão com distúrbio psíquico, causa disso é o desconhecimento e a falta de visibilidade sobre as doenças da mente.
      Essa problemática está incrustada na sociedade brasileira e se agrava com o despreparo da família, dos professores, dos profissionais da saúde e civis. Segundo a OMS, uma em cada dez pessoas sofrem de patologias mentais e as mais comuns são a depressão, ansiedade, transtorno bipolar e esquizofrenia. Na infância, é mais comum a deficiência intelectual e hiperatividade; na adolescência e fase adulta, a ansiedade e depressão são frequentes pelo fato dos jovens estarem em transformação corporal e social e os adultos por trabalharem em excesso; na terceira idade, a perda de potencialidades e o distanciamento dos filhos contribui para que a taxa de demência seja alta nessa etapa. Dessa maneira, é de extrema importância que a sociedade conheça sobre o assunto e trate com devido cuidado e respeito as pessoas que sofrem com tais transtornos.
      Decerto, o tratamento dessas psicopatologias ainda está em evolução. Há apenas 16 anos, a Reforma Psiquiátrica alterou o método de internação em hospícios para o suporte ambulatorial integrado ao Sistema Único de Saúde e com atividades de reintegração. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), foram criados pelo serviço público com o objetivo de maior acompanhamento e humanização nos atendimentos aos que sofrem com doença mental. Para Freud, o pai da psicanálise, a cura dessas doenças se dá pela fala, ou seja, pela conversa entre paciente e psicanalista. Assim, só os remédios "tarja preta" não são suficientes, é preciso aliá-los a psicoterapia e  acompanhamento individualizado.
      Portanto, é importante que se desconstrua estigmas que cercam a saúde mental. Para isso, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas de conscientização, promovendo palestras nas escolas e nos bairros. Além disso, é necessário que haja uma maior distribuição dos CAPS e capacitação de profissionais da área da saúde para a melhoria no atendimento aos que necessitam. A identificação precoce das doenças é de extrema relevância para tratar adequadamente cada caso. Só assim, os doentes mentais não serão mais vistos como loucos e a vida será valorizada.