A necessidade de debater as doenças mentais

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    Depressão. Síndrome do Pânico. Esquizofrenia. Transtorno Bipolar. Fobia Social. Transtorno Obsessivo-Compulsivo. As doenças mentais representam um dos maiores problemas de saúde pública no mundo contemporâneo, afetando mais de 400 milhões de pessoas. Infelizmente, os transtornos psicológicos são, na maioria das vezes, encarados como pieguice ou fraqueza e não como verdadeiras enfermidades. Sob essa perspectiva, mudanças na assistência às psicopatias são essenciais para amenizar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida.
    Não se pode deixar de citar, segundo definições da OMS, doenças mentais são distúrbios cerebrais que comprometem o humor, o raciocínio e o comportamento de quem os porta, tornando o convívio em sociedade penoso. Entretanto, o preconceito inveterado à situação dificulta a aceitação dos familiares e do próprio paciente, que por vezes nega a condição e sofre com a falta de tratamento adequado. A priori, cerca de 80% dos enfermos não recebem ajuda adequada em todo o mundo, segundo dados da ONU. Desse modo, inverossímeis um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano.
    Notoriamente, a Reforma Psiquiátrica, sancionada em 2001, foi responsável por tornar o processo de reconhecimento de transtornos psicológicos mais humano e prestativo. Assim, a desospitalização, com a extinção de manicômios, promove mudanças no modelo assistencial aos pacientes portadores de sofrimento mental, além de ampará-lo e aos que o cercam. A exemplo, artigos publicados em revistas científicas apontam que até 90% dos indivíduos constataram melhoras na qualidade de vida após participarem de algum tipo de tratamento.
    A partir do exposto, percebe-se que a legislação atual corrobora uma nova perspectiva no diagnóstico e tratamento das doenças mentais. No entanto, é essencial que seja suplantado o tabu existente, para que a busca por ajuda não seja mais motivo de escória e inferioridade. A partir do fato de que os transtornos manifestam-se principalmente na adolescência e início da idade adulta torna-se fundamental que o Ministério da Educação promova discussões e palestras em sala de aula a fim de apresentar os distúrbios emocionais como doenças que necessitam de atenção e apontar os sintomas para que seja possível reconhecer quando alguém próximo precisa de ajuda. Afinal, é preciso falar abertamente sobre saúde mental.