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    Apesar do aumento do acesso às novas tecnologias de informação que permitem, em tese, uma maior integração social, não se observa na sociedade do século XXI uma sociabilidade conquistada. Percebe-se, entretanto,  um distanciamento das relações sociais e uma nova insensibilidade relativa ao sofrimento alheio. Tal quadro se constata na porcentagem crescente de pessoas diagnosticadas com algum transtorno mental, no Brasil, que não recebem tratamento adequado seja medicamentoso, seja social para sua melhora.
       Os resultados de uma pesquisa realizada pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) apontam que grande parte das doenças mentais de moradores de grandes cidades brasileiras tem relação com fatores sociodemográficos. Demostrando, portanto, a necessidade de uma maior atenção a essa parcela da população, não porque precisa ser diagnosticada e medicamentada categoricamente, mas sim, pelos fatores de risco para o desenvolvimento de distúrbios mais graves como o transtorno de personalidade Borderline.
         A pesquisa expõe que fatores externos como violência, relação familiar, poluição sonora, ausência de atividades recreativas nas cidades brasileiras tem relação com o promoção desses transtornos. Tal exposição se agrava com a despreparo do circulo social de pessoas que apresentam uma evolução de doenças como depressão e transtorno de ansiedade. A não detecção de transtornos mentais e a negligência dada ao estado de sofrimento do paciente, pelos familiares, somados ao caos estrutural do meio urbano são fatores, intensificados na indiferença da sociedade, que apresentam como último e mais grave efeito: o suicídio.
        Esse quadro se complica quanto a burocracia para o recolhimento de remédios psiquiátricos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) levando, assim, a um crescimento do número de pacientes que chegam até ao final do tratamento. Dessa forma, a diminuição dos papéis exigidos e número de órgãos consultados para a retirada desses medicamentos, bem como, o aumento no número de Farmácias Populares e Policlínicas que os disponibilizam, se faz necessária, pelo Ministério da Saúde, para uma maior abrangência de pacientes com acompanhamento medicamentoso. Cabe à família a busca de uma assistência com explanações sobre a doença e o tratamento social que deve ser dada ao doente. A construção de ambientes de interação entre quem apresenta transtornos psíquicos com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, atividades de interação social e áreas de lazer verdes é uma medida paliativa que deve ser efetivada pelas Secretarias Municipais de Saúde tornando, também, sua visitação, pelo pacientes, como parte obrigatória do tratamento gratuito ofertado pelo SUS.