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    Depressão, esquizofrenia, ansiedade. De acordo com a OMS, essas e outras doenças mentais vêm aumentando em número de casos a cada ano. No entanto, a atenção dada a elas é desproporcional ao seu crescimento. De fato, o que acontece é uma banalização quanto à magnitude desses transtornos, fator que ocasiona o agravamento de ocorrências.
       Essa desvalorização da gravidade dos distúrbios mentais é herança de tempos passados. Obras literárias do século XIX já tratavam do assunto de forma normalizada. Jacinto, de A cidade e as Serras, passou por um período depressivo em que sua melhora se deu por conta de uma viagem. Tendo em vista que a obra é espelho do período em que foi escrita, pode-se dizer que a enfermidade mental, desde a respectiva época, já era vista como algo normal devido ao seu tratamento superficial.
       Além disso, o caso jacíntico  também abre espaço para outra questão. Assim como no romance de Eça de Queiroz a personagem não teve apoio psicológico, muitos pacientes nos dias atuais passam por isso. A ONU estima que mais de 70% dos indivíduos que são atingidos por tais doenças não recebem tratamento adequado, fator que demonstra o quanto a falta de atenção aos casos se perpetua ao longo dos anos.
      Em suma, não se deve tratar de distúrbios mentais como algo comum e cotidiano. É preciso que se fale de forma aberta e clara sobre eles para que se entenda a profundidade do problema, visando a possível redução da quantidade de pessoas afetadas. Para isso, as prefeituras em conjunto com a ONU podem promover campanhas a nível estadual na mídia televisiva para iniciar a conscientização, bem como as escolas podem abordar a questão em reuniões com os pais e os professores com os alunos em sala de aula, buscando informar as famílias. Ademais, cabe ao poder legislativo elaborar leis mais sólidas para garantir a todos os pacientes acesso ao tratamento correto e de forma totalmente gratuita, visando oferecer o apoio e a atenção que eles tanto necessitam.