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    A Sociedade Brasileira de Psiquiatria afirma que, na contemporaneidade, há uma prevalência dos casos de depressão e ansiedade e que as políticas de saúde mental priorizam os distúrbios mentais mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar.Consequentemente, a desatenção da saúde pública para com o tratamento de todos os distúrbios comportamentais, bem como a falta de informação, contribuem para que essas enfermidades acometam cada vez mais a coletividade.
     De acordo com a definição clínica, uma doença mental é caracterizada como uma variação mórbida da normalidade que leva o indivíduo a ter dificuldade, de forma parcial a total, na interação com a família e com a comunidade.Além disso, a maioria dos distúrbios mentais não possuem uma causa definida podendo serem uma combinação de fatores psicológicos, biológicos e ambientais.
     Por muito tempo, as pessoas que sofriam com transtornos psíquicos eram excluídas da convívio social sendo trancafiadas em manicômios e tratadas com terapias medicamentosas.Mas com o fechamento dos hospitais psiquiátricos, pela aplicação da Lei Antimanicomial, ocorreu o enfraquecimento do estigma da loucura e , de certa forma, do afastamento do coletivo.
     No entanto, o tema ainda carece de ser melhor abordado por todas as esferas da sociedade. Certamente que os muitos casos de indivíduos depressivos e ansiosos são fruto de uma realidade de violência urbana generalizada, de condições socioeconômicas adversas e de um modo de vida egoísta acelerado pelo ritmo da globalização.
     Afim de modificar esse quadro, o Poder Público deve priorizar o bem estar humano desses pacientes com a aplicação de políticas de acolhimento, humanização e tratamento adequado. Isso poderá ser alcançado com o atendimento ambulatorial especializado e integrado com as redes básicas de saúde, atividades de reintegração social e o aumento do número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais. A mídia deve realizar campanhas informativas para elucidar o tema dos distúrbios mentais, pois com a disseminação da informação há o estímulo da criticidade e a quebra da discriminação. Vale ressaltar, que as famílias desses pacientes devem ser assistidas por serviços de suporte com psicólogos e assistentes sociais, para dessa maneira lidarem com mais naturalidade com seu familiar fragilizado pela doença.
     Fica claro que nenhuma outra parte do corpo humano é tão complexa quanto o cérebro. E é primordial colocarmos em prática os ensinamentos de Nise da Silveira, médica pioneira da reforma psiquiátrica no Brasil, que afirmava que o que cura é o contato de uma pessoa com a outra, a afetividade e a falta de preconceito.