A necessidade de debater as doenças mentais

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    Segundo Foucault (em seu livro Doença Mental e Psicologia), os transtornos mentais são fenômenos culturais que podem explicar a sociedade, elevando a psicologia à categoria de ciência. Nessa perspectiva, esses problemas não devem ser menosprezados e omitidos. Entretanto, há uma banalização desses distúrbios, os quais não recebem a atenção devida pela população. Sendo assim, há uma necessidade de debater e esclarecer as doenças mentais na sociedade, para evitar as consequências desastrosas que ocorrem atualmente.
                  Esses transtornos afetam cerca de 20% da população adulta mundial, que apresenta pelo menos um episódio de depressão, bipolaridade, ansiedade generalizada, esquizofrenia ou pânico. E causam tantas mortes (por suicídio e doenças autoimunes) quanto o câncer, no entanto, não recebem a mesma atenção. Para Paulo Freire, a educação não transforma o mundo, ela muda pessoas, essas transformam o mundo. Desse modo, educar para reconhecer a gravidade da situação de 400 milhões de pessoas (de acordo com a Organização Mundial de Saúde) é necessário para que essa inadequação consiga ser controlada e a calamidade atual deixe de existir. As mídias interferem na contramão, romantizando essas doenças, como na rede social ''tumblr'', onde os sintomas dessas doenças são ''valorizados'', sendo, também, necessário uma mudança de postura desses meios.
                  Consoante Mandela, devemos promover coragem onde há medo e inspirar esperança onde há desespero. Nesse sentido, dar auxílio às pessoas que passam por essa realidade é tão necessário quanto o tratamento medicamentoso. No Brasil, por exemplo, há ONGs, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que dispões de programas de apoio emocional para essas pessoas. No entanto, uma parte da sociedade ainda menospreza esses problemas, como ocorreu na série da NETFLIX ''Os 13 porquês'', em que a jovem se suicida e as pessoas ao seu redor não notam seus sintomas de depressão antes. A lei brasileira Paulo Delgado, que protege os direitos dessas pessoas, vai contra a psicofobia: o preconceito a portadores de doenças mentais e o menosprezo de situações graves.
                 Dessa forma, a população ainda iguala esses transtornos ao vitimismo e à moda, no entanto, como Foucault disse, esses fenômenos podem explicar a sociedade, sendo preciso compreender e respeitar os portadores e ajudá-los a se tratar. Portanto, as escolas e as famílias devem discutir e trabalhar o tema, sem desprezo e desrespeito aos portadores. Além disso, ONGs e o Ministério da Saúde devem apoiar projetos sociais, como campanhas de tratamento e prevenção, evitando os efeitos drásticos das doenças. E o Governo deve aperfeiçoar leis (como a Paulo Delgado) e disseminar campanhas de conscientização acerca do crime de psicofobia, para afastá-lo do convívio social.