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    Após anos de desenvolvimento científico na área médica, buscando a cura de enfermidades físicas, a mente apresenta-se como um campo ainda bastante inexplorado. No Brasil, é expressiva a parcela da população que apresenta algum distúrbio psicológico ao longo de sua vida. Entretanto, a escassez de informação a respeito dessas doenças faz com que passem despercebidas e não tenham tratamento adequado. Logo, uma ampla discussão acerca dos fatores sociais e culturais relacionados a essa temática é importante para o estabelecimento do bem-estar coletivo.
          Ao longo da história, principalmente após a revolução industrial, criou-se uma tradição imediatista em todos os aspectos da vida. Por conseguinte, com a ascensão dessa forma de organização temporal e a consolidação da "sociedade multitarefa', nunca foi tão grande a carga psíquica a qual as pessoas estão submetidas. Dessa maneira, o alastramento de doenças mentais apresentou-se como resposta imediata do esgotamento das capacidades dos cidadãos. Porém, o aumento na ocorrência não acompanhou uma maior mobilização quanto aos transtornos abordados. Na verdade, o que se observa é uma banalização dessa condição de saúde, através da incorporação avulsa de vocabulário médico de forma inadequada no dia a dia dos habitantes. 
          Além disso, a não compreensão da gravidade dessas disfunções pela população corrobora para que surja um caráter taxativo em relação aos enfermos. Assim sendo, adotar a omissão tornou-se, muitas vezes, a única maneira de encaixar-se em um suposto padrão de normalidade estabelecido, o que contribui sobremaneira para o agravamento do distúrbio. Pode-se constatar esse fato quando em  núcleos familiares membros escondem seu estado, devido ao receio de um provável julgamento.
          Portanto, cabe ao poder público e demais segmento sociais fomentar o debate sobre doenças mentais. A criação de disciplinas nas escolas de forma a educar os jovens sobre transtornos psíquicos e a importância de avaliar regularmente o estado de saúde interior é essencial para construir uma geração consciente. A representação na mídia, seja ela impressa ou até mesmo televisiva, de pessoas com disfunções à parte do âmbito físico é necessária para causar identificação nos habitantes e promover o interesse sobre o assunto. A atuação da família é determinante, construindo um ambiente seguro, livre de julgamentos, propício para a melhoria dos adoentados.