A necessidade de debater as doenças mentais

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    As aparências enganam
    As academias de musculação, pilates, Cross fit, artes marciais, treinamento funcional e muitos outros, estão cada dia mais cheias e se multiplicando pelas cidades. Tal fato, é atualmente justificado pela busca por saúde ou por questões estéticas, e levando em consideração muitos males provenientes do sedentarismo, atividades físicas sempre foram e continuam a ser a recomendação primordial de médicos e especialistas para a prevenções de doenças. Entretanto, enquanto busca-se modelar o externo e prevenir doenças que já são conhecidas, ainda há um grande tabu que sonda as doenças mentais.
    Atualmente, quando um indivíduo sente alguma dor, por exemplo, uma dor nas costas, instantaneamente procura-se um médico que possa orientar sobre o que tomar, exames e tratamentos, porém, é muito comum que ao sentir uma tristeza profunda, ter alterações de humor repentinas e extremas, ou até mesmo crises de ansiedade, tais episódios sejam tratados como simples casos de alteração momentânea, e em inúmeras vezes são banalizados e ridicularizados. Esse desdém com sintomas que aparecem claros e normalmente indicam o início de algum transtorno mental, proporciona o agravamento da doença, podendo levar a consequências irreversíveis.
    Cerca de 10% da população do Brasil passa por problemas de transtornos mentais e cerca de 2,5% são classificados como sendo moderados ou grave. As consequências de tais problemas são variadas, e pode levar ao extremo, ou seja, o suicídio. Também observa-se que os números divulgados pela ONU representam uma realidade do mundo e do nosso país. Segundo o órgão, de 75% à 85% da população mundial portadora de algum transtorno, não tem acesso  a condições de tratamento. Ao restringir o quadro para o nosso país, também pode-se concluir que não há investimentos na prevenção e tão pouco no tratamento adequado das doenças mentais.
    O diálogo aberto em canais de comunicação, telejornais, programas de entretenimento, rádios, e tantos outros meios de comunicação, é o primeiro passo para a quebra desse tabu. Também há a necessidade da criação de campanhas preventivas e conscientizadoras por parte do governo. Tais campanhas teriam como ponto de partida postos de saúde, hospitais-escola, hospitais gerais e centros de apoio psicossociais, assim abrangendo a comunidade onde eles estão inseridos. Quanto mais discutidas forem as particularidades, os sintomas, e consequências nas vidas das pessoas portadoras dos transtornos, maior será a conscientização e menor será o uso deles para o humor, e banalização inconsciente.