A necessidade de debater as doenças mentais

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    Crítica machadiana
               Machado de Assis retratou o final do século XIX a necessidade de debater as doenças mentais em O alienista. Contudo, até nos dias atuais as desordens psiquiátricas ainda são consideradas tabus pela sociedade. Devido ao imenso preconceito, assim como a urgência em desenvolver abordagens mais dignas, esses distúrbios são apontados como graves problemas de saúde pública.
                Mormente, o número de casos de transtornos psiquiátricos tem aumentado vertiginosamente. Entretanto, doenças como depressão e síndrome do pânico ainda são vistas com preconceito e muitas vezes menosprezadas. Frequentemente as pessoas são rotuladas como loucas e simplesmente marginalizadas pela sociedade. Nos dias vigentes, estudiosos cogitam que o compositor Beethoven e o pintor Van Gogh podem ter sido portadores de esquizofrenia ou transtorno bipolar, mas à época foram deixados à margem do convívio social.  Sendo assim, faz-se necessário desmistificar e combater o preconceito que perpassa esse cenário.
               Outrossim, urge o desenvolvimento de abordagens mais dignas. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 80% dos doentes não têm sequer acesso ao tratamento. No Brasil dos anos 1950, a psiquiatra Nise da Silveira revolucionou a terapêutica nessas desordens através das habilidades artísticas, estimulou o convívio e resgatou a dignidade dos seus pacientes. Todavia, há pouco incentivo para o seguimento dessa linha de tratamento. Sob a ótica legislativa, há a Lei Paulo Delgado, a qual protege os direitos dos portadores de doenças mentais, mas não foi regulamentada. Logo, ainda há lacunas a serem preenchidas para ofertar um cuidado mais humanizado aos doentes psiquiátricos.
                É essencial, portanto, debater as doenças mentais. Para tal, é importante que a mídia veicule campanhas que desmistifiquem e combatam o preconceito relacionado aos distúrbios. Paralelamente, as escolas de psiquiatria e psicologia devem investir nas abordagens multiprofissionais: terapia ocupacional, atividade física e assistência social, com objetivo de ressocialização dos doentes. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Saúde amplie as vagas nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) a fim de facilitar o acesso à população, e ao Ministério da Justiça  cabe regulamentar leis que protejam o paciente. Dessa forma, as teorias do Doutor Bacamarte serão apenas críticas machadianas.