A necessidade de debater as doenças mentais

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    Os cegos que calam os loucos
    
     Em 1904, no Rio de Janeiro, a imposição de vacinas obrigatórias contra a varíola sem prévias informações para a população, ocasionaram a Revolta da Vacina, que por sua vez quase resultou em um golpe militar. Na obra "O mínimo para viver", a anorexia nervosa vivida pela protagonista é mal compreendida pelos seus familiares, que tornam o seu processo de cura mais lento e doloroso. Quando as pessoas não tem conhecimento sobre determinado assunto, é natural que haja resistência, e em relação às doenças que afetam a psique isso não é diferente. Para lidar com as mazelas mentais, é necessário que haja o reconhecimento de tais como de fato, doenças, por parte da sociedade.
     Em primeiro lugar, é preciso que se tenha consciência que transtornos mentais não são opções do homem médio. De acordo com a ONU, as enfermidades psicológicas são as que mais afetam a população mundial (sem distinção de classe social), e dentre essas, mais de 70% não tem o tratamento adequado. Tal cenário, é análogo ao pensamento Kantiano; pois se o homem é o que a educação faz dele, a resistência à aceitação de distúrbios psíquicos é fruto da falta de informação que a sociedade carece sobre esse assunto.
     Além disso, quando tais questões são abordadas, elas refletem a falta de conhecimento romantizando os transtornos, dando-os sinônimo de melancolia e refúgio ou até mesmo caráter humorístico. Sem a consciência do grau de seriedade dessas doenças (que por sua vez acarretam diversas consequências físicas, como derrames e suicídios), em virtude dos altos preços das consultas com psicólogos e psiquiatras e a dificuldade do acesso aos serviços públicos, construiu-se ao longo do tempo um conceito errôneo sobre o que se passa no âmago das pessoas que sofrem com essas doenças, como uma magnificação trófica, que tem como sua propriedade tóxica a banalização
     É indubitável, portanto, a necessidade de trazer à tona as discussões do âmbito dos transtornos mentais, tornando a informação um bem comum, visto que é um risco real e com forte presença no cotidiano de milhares de pessoas. Órgãos competentes relacionados a saúde e educação devem democratizar o acesso aos tratamentos e disponibilizar apoio aos amigos e familiares dos diretamente afetados, para que assim possam colaborar com o processo de cura do paciente, sem por ventura piorar o quadro por não saber lidar com a situação. Leis como a de Paulo Delgado, devem ser ampliadas, divulgadas e fiscalizadas, para que desse modo, não se cometa mais atentados à saúde mental de terceiros por mera ignorância.