A necessidade de debater as doenças mentais

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    Em "O Alienista", obra escrita por Machado de Assis, seu personagem central, Dr. Bacamarte, afirma: "A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é continente". Nos dias atuais o termo loucura foi substituído por doença mental, que está intrinsecamente relacionado à condições biológicas e às normas sociais do ser. Sob esse aspecto, convém discutirmos as principais consequências da normalidade do indivíduo para a sociedade como um todo.
    Primeiramente, cabe aqui definir que a ideia de normal está associada com o conjunto de valores e comportamentos da maioria, ou seja, a normalidade é uma construção social que valoriza o individual. Assim, aqueles que não se enquadram nesses aspectos são ditos anormais. Desse modo, aquela pessoa que perdeu um ente querido e encontra-se deprimido por um período de tempo superior ao estabelecido nos manuais psiquiátricos é caracterizado como anormal, portanto, possui uma patologia passível a tratamento medicamentoso. 
    Nesse sentido, a busca pelo bem-estar psíquico imediato tem como resultado a medicalização da vida. Embora os progressos científicos na formulação psicotrópicos mais modernos possibilitaram novas perspectivas para os doentes mentais, seu uso tem se tornado abusivo devido ao anseio do tratamento de sintomas biológicos ligado as emoções e não levando em conta mais as relações sociais do ser. Assim o processo de medicalização da vida pode ser pensado como o ato de transformar a vida em objeto.
    Por fim, na obra de Machado de Assis, Dr. Bacamarte se surpreende quando a expansão do seu conceito de loucura levou a internação de celebres personagens da obra. Não diferente acontece na vida real, cabe entendermos que a individualidade de cada um é traço importante de sua personalidade, sendo essa gerada a partir das relações sociais vividas e da cultura adquirida ao longo de sua vivência. Desse modo, a reflexão se faz necessário, portanto, é função do Ministério da Educação viabilizar através das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação na área de medicina uma formação mais humana, que busque compreender não só as relações bioquímicas do ser, mas também as suas relações socioculturais. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, através de ações de publicidade nos diversos meios de comunicação, assim como em telejornais e redes sociais, promover a reflexão e a discussão sobre o tema aqui discutido. Apenas assim, alcançar-se-á uma sociedade que respeita as diferenças individuais.