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    Desequilíbrio do organismo social
          Émile Durkheim, sociólogo francês, comparou a sociedade a um organismo vivo, apresentando mecanismos funcionais integrados. Entretanto, atualmente percebe-se a banalização das relações sociais no contexto da consolidação do capitalismo técnico-científico. Nesse cenário emerge a alta incidência de transtornos mentais, como a depressão e a ansiedade, cujas motivações incluem fatores de cunho conjuntural e histórico. 
          Em primeiro lugar, é fundamental destacar o papel que a situação socioeconômica de um país pode ter em relação com o desenvolvimento de distúrbios psicológicos na população. Em estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz, concluiu-se que a violência urbana generalizada e as condições econômicas adversas que o Brasil enfrenta têm se mostrado ligadas ao aumento significativo dos níveis de ansiedade. Somado a isso, o país não apresentou, até agora, políticas públicas de saúde eficazes no sentido de prevenir ou tratar essas psicopatologias. 
          Em segundo lugar, deve-se pontuar que as modificações sociais trazidas pelo fortalecimento da chamada “Terceira Revolução Industrial” explicam, em grande parte, a intensificação de agravos psicológicos. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o momento histórico em que vivemos atualmente, a “modernidade líquida”, traz incertezas quanto à capacidade dos indivíduos de adequar-se aos novos padrões sociais, que se liquefazem e mudam constantemente. Esse contexto, acrescido à atual fluidez das relações interpessoais, cria um vazio emotivo nas pessoas – ambiente fértil para o aparecimento de transtornos depressivos, por exemplo. 
         Verifica-se, portanto, que o aparecimento de algumas disfunções psicológicas é resultado de significativas modificações no âmbito social e econômico de uma comunidade. De maneira a reverter esse cenário, o Estado, especificamente por meio do Ministério da Saúde, deve promover programas de treinamento e educação dos profissionais de saúde primária, incentivando uma abordagem mais integrada nos cuidados com o paciente, incluindo atenção dedicada à sua saúde mental. Além disso, é necessário atuar na prevenção do problema: os setores da mídia nacional, por meio da divulgação de campanhas de conscientização sobre as doenças mentais, abririam espaço para o diálogo sobre o tema, revertendo a sua estigmatização nos meios sociais e, consequentemente, favorecendo a busca pelo tratamento adequado.