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    Segundo Émile Durkheim, um dos célebres teóricos do Período Oitocentista, a sociedade pode ser comparada a um “organismo vivo” por apresentar mecanismos funcionais integrados. Essa sistemática, no entanto, vem sofrendo alterações motivadas pela banalização das relações humanas, principalmente com a consolidação do capitalismo e formação dos grandes centros urbanos. Nesse contexto, a desintegração desse sistema gera o aparecimento de psicopatologias que, aliada a falta de tratamento adequado aos doentes, corrobora para a manutenção de tal realidade no país.
          No Brasil, a reorganização da assistência em saúde mental é recente. A Reforma Psiquiátrica, que completa 16 anos em 2017, traz uma nova perspectiva de tratamento baseada na valorização do ser humano e no entendimento de que o transtorno mental pode não ser apenas uma doença, mas também um problema social. No entanto, a falta de políticas de saúde eficazes direcionadas à problemática aliada aos problemas gerados pela urbanização, como a violência urbana generalizada e as condições socioeconômicas adversa, impedem a melhora no quadro. Tal fato é ratificado ao observar os dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas de São Paulo que demonstra que a capital paulista, maior cidade brasileira, tem o maior número doentes mentais no país.
          Em consonância com o então apresentado, emenda-se a consolidação do capitalismo e o aparecimento do atual padrão de vida pautado na busca incansável por uma melhor colocação no mercado de trabalho e promoção pessoal. Esse quadro propicia à população um ideal nunca alcançável e, por conseguinte, transtornos de ansiedade, distúrbios de pânico e depressão fazem-se presentes em um extrato social significativo. Os dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, somente no Brasil, aproximadamente 20 milhões sofrem com tais disfunções, exemplificando a desarticulação entre integridade do trabalhador e as atividades exercidas.
          Nesse ínterim, medidas são necessárias para reverter esta situação. Convém, portanto, que, o poder público, por meio dos Ministérios da Educação, Saúde, Segurança e Desenvolvimento, realize esforços para reduzir as desigualdades econômicas e implemente políticas de educação e de segurança pública a fim de superar o círculo vicioso da pobreza, da violência urbana e de transtornos mentais, atuando diretamente para a promoção do bem-estar humano. Cabe ainda à população, promover debates, por meio de fóruns, com o fito de propor melhorias e soluções para a problemática. Sob tal perspectiva, sob ação conjunta entre população e poder público, poder-se-á controlar este quadro no país.