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    "Se podemos contar uns com os outros, não precisamos depender de mais nada". A frase, de autoria do filósofo Richard Rorty, se enquadra em um tópico contemporâneo de saúde pública: as patologias mentais. Ainda tratadas de maneira estigmatizada, tais enfermidades aumentaram significativamente nos últimos anos. Fatores como a estereotipação social e o descaso da esfera pública nacional contribuem para a permanência desse problema.
      Primeiramente, as doenças mentais ainda são abordadas pela sociedade leiga de maneira pejorativa, dificultando a discussão sobre estas. O contínuo processo de romantização simultâneo ao estereótipo de "louco" no meio social faz com que a procura de ajuda profissional de indivíduos que sofrem com estes males seja encarada de maneira vergonhosa, contribuindo para o avanço da doença. Assim, é necessária uma maior compreensão destas enfermidades para que elas sejam levadas a sério e abordadas com especialistas.
      Outrossim, é notória a negligência governamental na divulgação de informações a respeito de doenças mentais e na acessibilidade ao tratamento adequado aos cidadãos. Indivíduos como o vigilante da tragédia da creche em Janaúba, Minas Gerais, que sofria de transtornos mentais, devem ser tratados de maneira imediata e eficaz. O investimento em órgãos públicos, a exemplo do Centro de Atenção Psicossocial, ainda é insuficiente para que tais problemas sejam minimizados. Tanto do ponto de vista individual como sistêmico, o diagnóstico e tratamento correto dos transtornos mentais é a forma mais adequada de intervenção.
       Portanto, vistas as problemáticas de estigmatização e descaso estatal, faz-se necessária uma melhor discussão a respeito das doenças mentais. Medidas como a implantação de psicoterapias e diagnósticos periódicos de instituições do Ministério da Saúde, aliado às esferas estaduais e municipais, podem vir a quebrar o preconceito destas enfermidades. Um maior investimento nestes estabelecimentos também é necessário.