A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

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    Os recentes escândalos de corrupção na política brasileira têm sido constantemente noticiados pela mídia e, junto a eles, vêm o questionamento: o brasileiro seria, então, o povo astuto que sempre acha um "jeitinho" para seus diversos problemas ou simplesmente a nação da corrupção sem fim? Para responder à essa pergunta, portanto, é necessário conhecer os diversos estigmas da persistência do "jeitinho" na sociedade brasileira, a fim de compreender esse panorama.
     Em primeira instância, do ponto de vista sociológico, observa-se que o esteriótipo atrelado ao "jeitinho" dos brasileiros acaba a fazer com que ele seja visto de maus olhos, mas nem sempre é algo ruim. Os reflexos da crise econômica que perpassa o país, desde seu auge em 2015, como o alto índice de desemprego em 2019 - em torno de 12%, equivalente a mais de dez milhões de brasileiros - por exemplo, têm feito os indivíduos tomarem as mais diversas medidas, como o "jeitinho". Nesse caso seria a procura por uma maneira de conseguirem prover seu sustento em meio ao cenário econômico ruim, como fazer os famosos "bicos"; vender comida na rua, entre outros. Dessa maneira, observa-se que nem sempre o famoso "jeitinho" deve ser visto de modo abominável, mas sim como a evidência de que a sociedade brasileira é inteligente e safa, mesmo com seus diversos problemas.
     Todavia, vale ressaltar, ainda, que o famoso "jeitinho" pode sim ser utilizado para más práticas, desde pequenas atitudes corruptivas até grandes esquemas de lavagem de dinheiro. Com a repercussão  da Operação Lava-jato - como ficou conhecida a operação realizada pela Polícia Federal para desmascarar esquemas de corrupção no meio político - e das prisões de diversos políticos, a esfera governamental do Brasil tem perdido credibilidade por parte da população, como divulgou pesquisa do G1 há algumas semanas. Mas poderia mesmo ela cobrar dos políticos honestidade? Ações como dirigir sem carteira "rapidinho", mesmo que proibidas, são cotidianas da comunidade e evidenciam que usamos o "jeitinho" para nos beneficiar, mesmo que de maneira errônea e ilegal. Destarte, nota-se que os políticos são simplesmente reflexo da população e que ele torna-se um importante desafio.
     Assim sendo, observa-se que sim, o brasileiro é astuto, mas que medidas medidas devem ser tomadas para que o famoso "jeitinho" não seja, simplesmente, atos de corrupção. Destarte, é imperativo que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, promova aulas de ensino às crianças por meio de matérias cidadãs que ensinem não só conhecimentos acadêmicos, mas também ensinamentos para a vida, com alterações no PPC - Projeto Pedagógico do Curso - com objetivo de que sejam realizadas em todas as escolas. Agindo assim, será possível formar cidadãos críticos e que têm o "jeitinho" brasileiro, mas que o usam para lidar com seus dilemas, não para ações corruptas.