A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

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    A capacidade de contornar situações e a recorrência de manobras previamente elaboradas, cujo objetivo é esquivar-se de problemas, caracterizam o famigerado "jeitinho brasileiro". Desde o período da República velha, onde o coronelismo - prática sociopolítica brasileira típica do século XX - era comumente utilizado pelos chamados "coronéis", como forma de arrecadar votos através de violências ou troca de favores com a parte inferior da sociedade, a cultura de raízes históricas do "jeitinho brasileiro" era fortemente exercida. De forma análoga, na atualidade, é notório a alta disseminação desta cultura no país, tornando dessa maneira os tempos contemporâneos espelho da antiguidade e contribuindo assim, para o crescimento de uma população pautada no desvio de conduta.
         Em uma primeira perspectiva, sob a ótica sociológica, a utilização de recursos não convencionais para contornar problemas fomenta a ideia de que a sociedade atual, encontra-se cada vez mais parecida com a população ancestral, tendo em vista que, contemporaneamente, as violações das convenções sociais, como por exemplo: furar filas; dar ou aceitar troco errado e burlar blitz da lei seca entre outros, vêm se tornando extremamente recorrente. Esse quadro encontra origem no fato de que, ainda se é alimentado no Brasil, não só por parte social mas também das autoridades, a cultura do "jeitinho brasileiro", a qual contribui fortemente para a legitimação e aceitação de grandes corrupções.
         De acordo com sociólogo Émilie Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um "corpo biológico" por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil isso não ocorre, pois em pleno século XXI observa-se uma sociedade pautada no desvio de conduta, assim como era no século passado. De fato, o "jeitinho brasileiro" não pode ser visto como algo totalmente negativo, posto que, por vezes, é necessário possuir habilidades e astúcia para lhe dar com situações difíceis porém, se aplicado de forma errada, com intuito maldoso, passa a contribuir com a cultura corruptiva no país tornando esse cenário cada vez mais negativo. 
        A fim de combater o grave cenário da banalização do "jeitinho brasileiro" e construir, nas mínimas expressões uma sociedade mais consciente em relação a utilização do "jeitinho" e mais igualitária, o Poder Executivo federal, em conjunto aos Governos Municipais e Estaduais, deve promover uma fiscalização mais rígida para que atos ilegais sejam melhor controlados e efetuar políticas de conscientização sobre os limites da prática do "jeitinho brasileiro" - a partir de expressivos esforços operacionais e orçamentais - com o intuito de dessa forma, construir uma sociedade mais igualitária, quebrando assim a cultura ancestral da prática de atos negativos e ilegais para sanar os problemas.