A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

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    Jean Jacques Rousseau, filósofo iluminista, afirma que o progresso da sociedade está intrinsecamente ligado a autonomia dos cidadãos que a compõe. Contudo, no panorama hodierno, tal liberdade mostra-se negativa haja vista a tendência brasileira em adquirir certas vantagens ou as coisas de uma forma mais fácil. Todavia, analisar os impactos do jeitinho brasileiro no comportamento político e social dos indivíduos, faz-se necessário. 
         Primeiramente, a habilidade dos brasileiros em adquirir vantagens a qualquer custo é antiga na política. Nesse tocante, o voto de cabresto, característica primordial da republica velha, configurava a compra de voto e o abuso de poder dos coronéis. Tristemente, um século depois, tais desvios de conduta são refletidos no fazer político atual, considerando-se que os constantes casos de corrupção são responsáveis pela banalização desses atos. Dessa forma, tal ação, lamentavelmente, legitima a aceitação de outros tipos de práticas corruptas não só no congresso nacional, mas também nas ruas.    
        Acresce-se a isso, a tendência dos indivíduos em utilizar do jeitinho brasileiro para violar as convenções sociais, o que é considerado desvio de conduta. Sendo assim, a pirataria, furar filas, não devolver o troco errado são exemplos comuns ao dia-a-dia do cidadão. Sob essa óptica, não há duvidas de que essas práticas constituem um grande empecilho ao progresso social, haja vista a violação dos princípios igualitários e a solidificação de um sistema falho e corruptível, longe dos ideais desejados pelos iluministas.
         Torna-se evidente, portanto, a cultura negativa do jeitinho brasileiro. Para reverter tal cenário os professores de ciências sociais devem trabalhar a temática dentro das salas de aula com o objetivo de ensinar as crianças e adolescentes a identificarem os pequenos e grandes atos ilícitos que comprometem a conduta humana. Assim, os experimentos sociais podem ser utilizados nas ruas para a formação do senso crítico não só alunos como também participantes. Ademais, é essencial maior rigor na punição daqueles que cometem desvios de condutas na sociedade, para inibir a cultura de impunidade no país Só assim, poderemos liquefazer a cultura do jeitinho brasileira solidificada nas raízes do país.