A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

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    O "jeitinho" brasileiro vem sendo estudado a algumas décadas, não só por pesquisadores brasileiros, mas também estrangeiros. Sua definição mais conhecida transcorre na busca por uma solução fácil e rápida, seja ela ética ou não, para resolver um determinado problema. No entanto, para alguns estudiosos, a definição desse "jeitinho" vai muito além. De acordo com pesquisadores norte americanos, o "jeitinho" ocorre em três dimensões, sendo elas a criatividade, a corrupção e a quebra de normas e valores sociais.
    Em primeiro lugar, é preciso definir a ética como o modo o qual o indivíduo se posiciona em relação ao conjunto de normas de um grupo social. Desse modo, segundo os estudiosos da Universidade do Kansas nos EUA, pessoas que usam o "jeitinho" na dimensão da corrupção e da quebra de normas sociais estão cometendo atos anti-éticos. Visto que, o primeiro, refere-se a busca de meios ilícitos, como subornar um policial de uma blitz, superfaturar uma nota de reembolso, ou até mesmo os escândalos envolvendo os políticos da nação. Já o segundo, associa-se a ação de colocar o sentimento a cima do dever, como acionar um conhecido para fura a fila da emergência de um hospital. O fato é que, nas duas situações alguém ou algum grupo sairá prejudicado, e portanto a expressão "jeitinho" terá caráter pejorativo.
    Entretanto, ao associarmos à dimensão criativa, a integridade ética é preservada. Já que essa, está intimamente ligada ao âmbito da sobrevivência, como quando uma mãe, desempregada, busca formas alternativas - e legais - de sustentar sua família, seja vendendo lanches ou costurando para a vizinhança, sem causar prejuízo ou dano a nenhum terceiro. Inclusive, o "jeitinho" brasileiro de ser deu vida a animação Zé Carioca, criada pela Wall Disney, onde um papagaio muito simpático levava a vida na maciota e escapava de problemas usando seu bom humor. Além disso, para Sergio Buarque de Holanda, a expressão é vista de forma apreciativa. Conforme ele relata em seu livro, Raízes do Brasil de 1936, o brasileiro possui postura de Homem Cordial, sempre agindo de forma simpática, demonstrando emoção para com a necessidade do outro e jamais aceitando algo como impossível.
    É fato que, o "jeitinho"trás consigo um elevado custo moral, por expressar a falta de honestidade dos brasileiros. Nesse sentido, a sociedade deve ater-se à ideia positiva da expressão, mantendo-se cordial e bondoso. Mas também, precisa lutar contra tudo que é incorreto ao seu redor, sempre buscando a integridade das ações. Ensinando seus filhos, desde pequenos, a importância de ser honrado e honesto. Para que então, ao longo dos próximos anos, construa-se uma sociedade melhor, e desconstrua-se totalmente a associação pejorativa da expressão "jeitinho"brasileiro.