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    Genocídio. Roubo. Escravidão. Racismo. Essas são algumas das raízes históricas que demarcam o processo de colonização do Brasil, a partir de seu “descobrimento”, no ano de 1500. Embora o Brasil contemporâneo apresente contornos específicos, infelizmente, ainda é possível visualizar esse legado histórico na sociedade, haja vista os imbróglios éticos e morais tão presentes na atualidade. De fato, as perspectivas para a mudança desse cenário parecem distantes, devido à lenta mudança na mentalidade social e à sensação de impunidade que impera no país.
       Em primeira análise, cabe pontuar que a lenta mudança na mentalidade social contribui significativamente para a prevalência de valores éticos e morais deturpados na sociedade contemporânea brasileira. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, percebe-se que a conduta humana é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo. Logo, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social corrompido, em que os princípios morais são convenientemente manipulados para benefício próprio – o famoso “jeitinho brasileiro”-, há uma tendência de que esse seja o comportamento adotado e culturalmente aceito por gerações.
         Outro ponto relevante a se destacar é a sensação de impunidade que predomina no Brasil, a qual torna ainda mais lenta a transformação da cultura nacional. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que "a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar" cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de isenção moral coletiva no contexto brasileiro. Isso, de certa forma, justifica tantos casos de corrupção praticados pelos representantes políticos eleitos. Afinal, a sociedade está corrompida, e os políticos são apenas o reflexo do povo que os escolheu.
       Torna-se evidente, portanto, que a lenta mudança da mentalidade social e a percepção de impunidade refletem um cenário desanimador na sociedade brasileira, além de gerar uma sensação de incredulidade coletiva acerca da integridade moral do país. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve promover o debate sobre a importância de preservar os valores éticos e morais, por meio de oficinas lúdicas nas escolas, direcionadas aos estudantes e toda a comunidade escolar, a fim de transformar o comportamento cultural da sociedade. Essas oficinas devem ser incluídas no currículo escolar, de forma que sejam repetidas rotineiramente em todos os anos letivos. Dessa forma, o Brasil poderá, a longo prazo, se tornar um país íntegro e merecedor do orgulho de seus filhos, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.