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    Durante a década de 40 os estúdios Walt Disney, seguindo a política da boa vizinhança, produziram o personagem Zé Carioca para representar o Brasil. Retratado com seu jeito malandro e alegre de resolver os problemas do cotidiano, o papagaio apresentava ao mundo um povo hospitaleiro e receptivo. Entretanto, esse ''jeitinho brasileiro'' também possui características negativas, essas contrariam a ética e a moral, logo, torna-se necessária a discussão sobre o tema e seus fatores como a pessoalização das relações e a violação das leis, que devem ser abordadas como prioridades para a amenização da problemática.
          A priori, é importante salientar que essa capacidade  de contornar situações difíceis possui raízes históricas. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra Raízes do Brasil,o brasileiro é o homem cordial, ou seja, constrói relações na base da simpatia, bom humor e tenta sempre familiarizar as pessoas e objetos, logo,  ocorre a pessoalização das relações. Assim, o brasileiro tem dificuldade em lidar com situações e ambientes que exigem a impessoalidade, cria-se então, meios ilícitos para a afetividade e a flexibilização das regras.
          Por conseguinte, o não cumprimento das normas abre brechas para as pequenas fraudes e a desigualdade na cidadania, portanto, as leis são relativizadas de acordo com os interesses de terceiros. Essa violação das leis põe em voga as deficiências dos órgãos públicos e burocráticos, visto que há a mistura do público e do privado, o que gera a corrupção, o nepotismo, quando parentes são beneficiados na ocupação de cargos, e o peculato, quando bens públicos são usados indevidamente. De acordo com o site O Tempo 79% da população tem a percepção de que os brasileiros preferem usar o jeitinho brasileiro à cumprir leis, fato esse que contraria a ética e a  cidadania.
          Diante do exposto, faz-se necessário que o Ministério da Educação( MEC) organize palestras, promovidas por professores e sociólogos em praças, eventos públicos e escolas da rede pública e privada, a partir da 8° série do Ensino Fundamental II. Ademais, serão abordados temas como a história do jeitinho brasileiro, como ele afeta as relações e os meios para a desconstrução dessa cultura de flexibilização das leis. Com a adoção de tais medidas espera-se o cumprimento da igualdade e o rompimento como os aspectos negativos desse jeitinho que o brasileiro possui como marca.