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    Pierre Bourdieu, sociólogo francês, em sua obra "Sobre a Televisão", afirma que a imprensa contemporânea passou a ser um instrumento de alienação social. É nesse contexto de mudança do papel informativo da imprensa, que se observa a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro, o qual parece reflexo da inconsciência social quanto ao poder manipulador das mídias, bem como da crescente mercantilização dessas notícias no país. Tal conjuntura estimula esses publicações danosas e necessita, portanto, ser combatida. 
          Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de diálogo sobre essa temática, na sociedade brasileira, esteja entre as causas desse preocupante realidade nacional. Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, em seu livro "Eichmann em Jerusalém", o mal insere-se pela irreflexão daqueles que o praticam. Seguindo essa linha de pensamento, as escolas e os meios de comunicação, ao não debaterem com seus públicos a manipulação midiática a qual a sociedade brasileira está constantemente exposta, a exemplo da "espetacularização" dos casos de violência, como o ocorrido no sequestro da adolescente Eloá, em 2008, acabam por contribuir com a manutenção do consumo inconsciente dessas notícias maléficas pela população. Essa irreflexão coletiva permite a alienação social para a preferência dessas notícias sensacionalistas, o que incentiva sua disseminação. 
          Outrossim, a mercantilização dos conteúdos jornalísticos, nas mídias brasileiras, agrava tal quadro. De acordo com os filósofos da Escola de Frankfurt, como Theodor Adorno, as sociedades modernas caracterizam-se pelo consumo excessivo dos seus produtos. Nesse sentido, a hodierna subversão das informações jornalísticas em bens de consumo, prática criticada por Bourdieu, potencializa a dispersão do sensacionalismo, uma vez que, esse último "fabrica" os produtos, como os vídeos de tragédias e acidentes, de grande consumo social, o que corrobora com os filósofos. 
          Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem a prática maléfica do sensacionalismo na imprensa do país. Destarte, o Ministério da Educação, junto a ONGs, deve introduzir o tema nas escolas e nos meios de comunicação por meio de oficinas, rodas de conversas, em sala de aula, e campanhas publicitárias de caráter informativo com jornalistas e professores a fim de debater os impactos dessa prática jornalística e desenvolver a capacidade crítica social para sua identificação. Por fim, a sociedade civil organizada deve, mediante mobilização social, como abaixo-assinados e protestos, pressionar as mídias para que essas tomem medidas de combate ao sensacionalismo dentro de suas instituições, visando ao seu democrático funcionamento, tal como  propôs Bourdieu.