A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

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    Policarpo Quaresma, protagonista da obra prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entraves como o sensacionalismo ainda se fazem presentes no corpo social brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar de que forma a apelação na informação afeta a sociedade, bem como esclarecer o porquê dos meios de comunicação adotarem tal comportamento, em busca de soluções eficientes para esse entrave. 
      Em abordagem inicial, nota-se que a população faz uso da televisão como principal fonte de informação, visto que 63% a utilizam para esse propósito, segundo dados da Pesquisa Brasileia de Mídia. Nessa perspectiva tal problemática entra em conflito com a utopia de Brasil idealizado por Barreto na medida em que o sensacionalismo corrompe o conteúdo transmitido, por conseguinte gera a desestimulação do senso crítico. Aliás, não se pode negar a influencia da TV no caso Eloá em 2008, onde uma jovem foi sequestrada pelo ex namorado que a manteve em cárcere, o sequestro foi noticiado durante todo o ocorrido pela imprensa, que além de romantizar o crime, permitiu ao sequestrador informações externas, sendo um agravante para o fim trágico. Dessa forma fica evidente os riscos desse tipo de abordagem midiática.
      Ainda convém lembrar que a mídia atua como 4° poder, influenciando nas ações do governo e sociedade, para exercer tal função é necessário uma grande audiência, logo utiliza de meios antiéticos como o exagero, criação de polêmicas e omissão de informação para obter o alcance almejado. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo iluminista Rousseau em sua obra "O contrato social", conforme o pensador, para um bom funcionamento dos organismos sociais é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando o princípio de cooperação. À luz dessa ideia, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social pois a televisão atua de forma manipuladora em busca de audiência, rompendo com os ideais de confiança do corpo social brasileiro.
      Esse cenário em que se encontra o Brasil revela a necessidade de mudanças. Portanto, o Ministério da Educação e Cultura deve incentivar a busca de informações e advertir a população dos riscos da alienação, a partir de campanhas e programas sociais, com vistas a estimulação do senso crítico. Outra medida importante a ser efetivada é a realização de atos, como passeatas e abaixo assinados, algo que terá sucesso se grande parte dos brasileiros participarem, para a garantia da veracidade jornalistica. Com essas ações, acredita-se que o sensacionalismo será resolvido de modo a orgulhar Quaresma.