Enviada em: 07/09/2018

Antropofagia cultural       O contrassenso existente entre a riqueza multicultural brasileira e a forma como esta é tratada é estapafúrdia. Vê-se um crescente esforço da classe artística em trazer à tona as diversas realidades do país, apesar da luta constante contra um sistema de governo que não valoriza estes profissionais. Esse escasso incentivo à arte torna-a um bem de alto custo, de acesso apenas por parte das camadas mais privilegiadas da sociedade, que por vezes despreza este conteúdo e louva o estrangeiro, ao basear-se em um complexo de vira-lata, nas palavras de Nelson Rodrigues.       Face a tamanho dilema social, faz-se, portanto, indispensável tratar da luta destes vetores propagadores de cultura em manter viva a arte nacional ao enxergá-la seja como método de enfrentamento social ou de rememorar o passado vivido. Tanto em museus quanto em teatros, o esforço em continuar com o diminuto auxílio governamental é uma realidade a ser combatida, essa falta de incentivo provoca um encarecimento do acesso a este material por necessidade de sobrevivência dos artistas, em razão da necessidade em angariar fundos. Essa segregação cultural foi comprovada com o relatório "Panorama Setorial da Cultura Brasileira", onde foi constatado que 42% da população não consome cultura.        Ademais, em concordância com a restrita aquisição deste conteúdo há ainda no imaginário popular o desprezo pelo produto de origem nacional, herança antiga a qual julga execrável e de baixa qualidade as criações brasileiras e exalta as estadunidenses, este posicionamento ficou conhecido como complexo de vira-lata. Faz-se preciso desgarrar de tal concepção preconceituosa, pois esta só agrava a situação da indústria cultural no país, onde a pequena parcela capaz de consumir a produção interna abandona esta em razão de uma terceira por puro desconhecimento.        Por fim, mudanças são crucias para uma maior democratização no acesso à arte. Cabe ao governo ampliar projetos como a Lei Rouanet, uma possibilidade seria conceder incentivos fiscais a redes de cinema para transmitirem obras brasileiras a preços acessíveis, como resultado ter-se-ia a dinamização do público. Além disso, uma outra medida seria encorajar escolas públicas na transmissão de tais obras e levar equipes do teatro para apresentações semestrais, objetivando o contato da criança com a arte desde cedo.