Enviada em: 01/10/2018

Criado por Getúlio Vargas, o Instituto de Educação, Cultura e Propaganda (CPDOC) foi um dos primeiros órgãos a difundir a cultura nacional tanto no Brasil quanto no exterior. Todavia, no cenário atual do país, por uma evidente descontinuidade da instituição de políticas públicas como essa, a produção cultural brasileira enfrenta diversos desafios quanto a sua efetividade, não apenas pela falta de incentivo à sua prática, mas também por uma carência estrutural que possibilite seu espaço. Diante disso, urge a necessidade de atentar-se a essa problemática.          Em um primeiro momento, vale ressaltar a questão da falta de estímulo social no tocante a aprendizagem cultural. Nesse contexto, Émille Durkheim, um dos fundadores da sociologia moderna, defende em sua teoria da coerção social que a conduta do indivíduo é influenciada por seu meio de vivência. Assim, quando o processo educacional das crianças, por exemplo, não dá enfoque ao aprendizado dos vários âmbitos da cultura brasileira esse indivíduo crescerá com certo distanciamento dessas práticas e, por consequência, tenderá a negligenciar espaços como bibliotecas, teatros e museus. Desse modo, pode-se afirmar que se não houverem reformulações, na grade curricular dos cidadãos, que abordem essa questão, não por obrigação, mas como algo prazeroso, a manutenção da cultura brasileira – historicamente definida como uma das mais diversificadas do globo – estará, tristemente, comprometida.        Por outro lado, tem-se a problemática carência estrutural que vai contra o fácil acesso à esses ‘’ espaços culturais’’. Por esse viés, o pouco percentual de brasileiros que buscam por locais que difundam acervos culturais, como livrarias, não os encontram com facilidade, seja por falta dessas estruturas em suas cidades, seja por falta de informação – como bem reportado em uma notícia do G1. A título de exemplo, tem-se dados da Unesco que afirmam que a maioria dos municípios brasileiros que não possuem bibliotecas estão concentrados no Nordeste. A partir disso, pode-se comprovar que o cenário cultural brasileiro fica cada vez mais comprometido quando se dificulta a dispersão de sua existência.                                                                                    Dessa maneira, torna-se evidente a necessidade de atentar-se para a questão do acesso à produção cultural no Brasil. Posto isso, a fim de manter viva no dia a dia do cidadão aspectos culturais nacionais, o Ministério da Educação, em parceria com ONGs especializadas nas causas educacionais, deve promover projetos, nas escolas públicas e privadas, que abordem a cultura histórica do país. Além disso, para que o despertar do interesse dos alunos seja mais efetivo, essas mobilizações devem alternar seus modos de apresentação entre as diversificadas formas de meio artístico, como por meio da música, teatro e saraus literários. Dessa forma, será possível que, o legado deixado por Vargas seja mantido e preservado no Brasil.