Enviada em: 18/08/2019

Na novela global "Bom Sucesso", a Editora Prado Monteiro, focada em livros acadêmicos e clássicos em edições de luxo, está em vias de ir à falência por causa do baixo índice de vendas. Fora da ficção, o cenário se repete com a crise do mercado editorial brasileiro. A literatura carrega consigo a versatilidade de assumir diferentes propósitos entretenimento e reflexão crítica. Percebe-se, então, que a depreciação da leitura se constitui como uma problemática na medida em que impossibilita a ampliação do conhecimento intelectual e o desenvolvimento do senso crítico. Não obstante, os hábitos brasileiros evidenciam a desvalorização da própria cultura, seja pelo consumo de produções estrangeiras, seja pelo distanciamento das tradições nacionais.        Em primeiro lugar, é preciso analisar o problema sob um viés histórico. Na canção Geração Coca-Cola, Renato Russo demonstra uma juventude adepta ao estilo de vida norte-americano. O processo de globalização propiciou a rápida interação entre indivíduos de diferentes localidades. Assim, há um estímulo à propagação das tradições de uma determinada nação e à aderência a tais hábitos. Nesse sentido, percebe-se que com a padronização cultural, com a valorização dos produtos estrangeiros e a falta de conhecimento sobre as próprias raízes promovem a desvalorização da cultura nacional.       Outrossim, é preciso considerar o efeito da decadência cultural que assola o país. Segundo uma pesquisa da revista Folha, apenas 58% dos brasileiros praticam atividades culturais com frequência. O estudo revelou ainda que desta mesma parcela, 80% consomem apenas música e cinema. Observa-se, então, que o baixo índice do acesso a outras formas de arte interfere diretamente no esquecimento da produção cultural brasileira e no distanciamento do cidadão e suas tradições. É notório ainda, que a complexa burocracia do governo no cedimento de recursos financeiros desestimula a adesão de mais eventos artísticos, o que limita a expansão do consumo cultural por parte dos brasileiros.        Portanto, torna-se imprescindível a adoção de políticas mediadoras a fim de contornar essa realidade. Cabe ao Ministério da Educação e Cultura, por intermédio da obrigatoriedade de atividades extracurriculares, adicionar o ensino cultural nas escolas de ensino regular. A medida deverá contemplar a valorização da cultura nacional por meio da leitura de livros, visitas aos teatros e exposições, apreciação de filmes e músicas nacionais dentro das escolas a fim de que haja a formação da cidadania e identidade cultural. Ademais, o Governo Federal, por meio do Poder Legislativo,  deve promulgar leis de financiamento mais acessíveis e incentivos aos projetos culturais, além de estabelecer uma cota mínima para custear essas atividades mensalmente, com o objetivo de, cada vez mais, apoiar mais ações artísticas, sobretudo em periferias.