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    No filme "Mulan", a protagonista deseja se tornar uma guerreira para impedir que seu pai doente seja convocado para a guerra, no entanto, apenas homens podiam fazer parte do exército, dessa forma, Mulan camufla-se com trajes masculinos, ingressa no exército e tem um papel essencial na vitória do seu povo. Fora da ficção, como consequência de uma cultura patriarcal e em grande parte misógina, o esporte feminino não é valorizado no Brasil. Nesse  cenário, a desigualdade de gênero e o descaso da mídia relacionado ao assunto, agravam a situação atual. Destarte, faz-se pertinente debater acerca dessa problemática.
          A priori, é imperioso destacar que, na Era Vargas, as mulheres foram proibidas de jogarem futebol por 38 anos devido ao respeito das condições de natureza femininas, pelo Decreto-lei 3199 de abril de 1941. Isso ocorreu pois existem crenças tradicionais que prescreviam que o cansaço físico e a competição, derivados da prática do esporte, eram contrários à natureza da mulher que deveria ficar em casa tomando conta dos filhos e dos afazeres domésticos. Sendo assim, a consequência dessa visão do Governo e da Sociedade acarretou em marcas profundas, como a desigualdade de gênero, a qual impede a mulher brasileira de desfrutar todos os seus direitos, como por exemplo, praticar esportes sem sofrer preconceitos ou escutar piadas opressoras e machistas.
          Outrossim, vale destacar a negligência da mídia em relação ao esporte feminino. Apenas no ano de 2019,  a Rede Globo, maior emissora de televisão no Brasil, transmitiu pela primeira vez uma Copa do Mundo feminina de futebol, além disso, muitos dos principais campeonatos dos esportes femininos não são transmitidos à população. Desse modo, o menosprezo dos meios de comunicação afeta diretamente o apoio recebido por essas atletas, tendo em vista que, devido à baixa visibilidade que elas recebem, a oferta de patrocínios é bastante reduzida. 
          Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto, cabe ao Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação, criar  projetos que amplifiquem a ascensão da mulher nos meios esportivos, por meio de peças de teatro e rodas de debate nas aulas de Filosofia e Sociologia que tratem sobre a inclusão, com o objetivo de aumentar o criticismo nos alunos e de fornecer notoriedade a essa causa. Ademais, é mister que o Ministério da Cultura juntamente com o Poder Midiático, desmistifique os esteriótipos relacionados a mulher no esporte, por meio da transmissão igualitária de campeonatos femininos e masculinos. Espera-se, com isso, que a distopia de Mulan se restrinja a ficção.