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    Sob o ponto de vista de São Tomás de Aquino, importante filósofo e teólogo da Idade Média, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma relevância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, tal importância não é atribuída à mulher contemporânea, sobretudo, no que se refere à valorização do esporte feminino. Desse modo, torna-se necessário garantir e ampliar o acesso às práticas esportivas femininas — com apoio do Estado e da sociedade.
      Deve-se pontuar, de início, que, durante muito tempo, a presença da mulher no esporte foi proibida. Isso ocorreu devido, principalmente, à normalização de práticas machistas e preconceituosas que, no século XX, restringia o espaço feminino às atividades domésticas e delicadas. Tal quadro avançou legalmente no início da Nova República, quando, por exemplo, equipes profissionais de futebol e vôlei foram permitidas. Contudo, ainda que ao longo das últimas décadas a mulher tenha conquistado mais espaço, é notório que a cultura machista brasileira dificulta o acesso e o interesse das mulheres no esporte: o assédio sexual e o desrespeito são corriqueiros em ambientes majoritariamente masculinos.
      Nessa perspectiva, é importante ressaltar que o debate ora proposto centrar-se-á, também, na importância substancial de valorizar o espaço feminino dentro do esporte. Em primeiro plano, cabe mencionar a ausência de políticas públicas efetivas que proporcionem o interesse e a participação feminina de crianças e jovens pelas modalidades esportivas. Além disso, cabe destacar, em segundo plano, que, segundo recente estudo científico realizado pela Revista Galileu, em parceria com ONGs sociais, apenas um em cada dez brasileiros já assistiram a uma partida completa de futebol feminino. Destarte, percebe-se a falta de incentivo pela própria sociedade.
      Posto isso, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. O Ministério da Educação, aliado ao Ministério do Esporte, deve elaborar materiais didáticos, como pequenas histórias em quadrinhos, para alunos do ensino fundamental e médio, com um conteúdo que aborde acerca da importância da mulher no esporte, conscientizando, desde cedo, os jovens. É interessante que o Governo Federal, com auxílio da mídia publicitária, promova palestras nos grandes centros esportivos brasileiros direcionados aos clubes nacionais, evidenciando o repúdio ao machismo e ao preconceito em relação à mulher inserida no esporte, independente da modalidade.