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    A questão do esporte feminino é um tema recorrente no país. Segundo relatório do PNUD, a prática de exercícios físicos por mulheres brasileiras é 40% inferior a dos homens - um indicativo de que o cenário esportivo ainda tem muita desigualdade de gênero. A primeira aparição de uma brasileira nos Jogos Olímpicos aconteceu em 1932, mas as primeiras medalhas somente foram conquistadas no ano de 1996. Este resultado tardio é revelador de restrições vividas pelas mulheres, decorrentes de um decreto que as proibiu de participarem de algumas modalidades esportivas entre as décadas de 1940 e 1970. O preconceito e a falta de apoio financeiro destinados às categorias esportivas femininas são ancorados por discursos que pregam a preservação da maternidade e da feminilidade, tendo sido responsáveis pela baixa representatividade feminina no universo cultural do esporte.
          Em primeira análise, mesmo com o aumento da audiência da Copa do Mundo Feminina nos últimos anos, ainda há uma enorme disparidade salarial entre homens e mulheres no esporte, além de que muitas equipes femininas não conseguem patrocínio, nem locais com boa infraestrutura para treinos e nem apoio logístico no dia de competições. Outrossim, está instalada no Brasil a cultura de não incentivar as mulheres ao esporte, devido à noção machista de que essas devem ter pouco acesso ao lazer para realizarem atividades domésticas. Outro grave problema é a carência de recursos públicos destinados ao esporte feminino, que desestimula a nova geração de meninas esportistas.
    
          Em segunda análise, na educação escolar, em muitos casos, não há o oferecimento para meninas de alguns esportes e ocorre o maior uso pelos meninos dos espaços destinados à prática esportiva, ou seja, a própria escola dificulta a participação feminina no mundo esportivo e não contribui para a diminuição da intolerância perante às mulheres esportistas. Somado a isso, muitas mulheres sofrem assédios sexual e moral nos ambientes esportivos e recebem destaques de seus treinadores por seus atributos físicos e estéticos, deixando de lado seus méritos esportivos e erotizando as atividades praticadas por elas.
    
          Portanto, é necessário que o governo, em parceria com institutos esportivos, estabeleça uma lei que defenda exclusivamente o esporte feminino, de maneira a fomentar a participação das mulheres desde a infância. Isso pode ser feito através do aumento de verbas focadas em times femininos, do estímulo à realização de campeonatos nacionais e internacionais e da divulgação de campanhas nas escolas que difundam a importância da prática de esportes para o empoderamento feminino. Assim, os cidadãos brasileiros se conscientizarão a respeito do assunto, entenderão que a igualdade de gênero deve ser alcançada e valorizarão o esporte feminino.