Enviada em: 09/09/2019

No documentário ‘’Meninas’’, a diretora Sandra Werneck reúne quatro adolescentes grávidas sob uma semelhante conjuntura: a baixa renda e escolaridade agravados a um núcleo familiar instável. Nessa perspectiva, tal produção artística corrobora uma realidade, que apesar de inserida em contexto tecnológico de fáceis trocas de informações, mantém-se prejudicada por um entrave histórico-cultural associados ao tabu, e subsequentemente pela desigualdade social os quais coíbem a discussão a respeito da sexualidade entre as famílias.      Sob esse viés, se por um lado o dado proferido pelo Programa de Sexualidade da Universidade de São Paulo (USP) divulga um início cada vez mais cedo dos adolescentes à atividade sexual, entre 13 e 17 anos, por outro, as orientações sobre tais práticas não ocorrem de maneira equiparada, seja pelos familiares, que muitas vezes ignoram as transformações e dúvidas dos jovens na adolescência, ou até mesmo pelas escolas, as quais carecem em temas e aulas específicas relacionadas à educação sexual. De fato, a falta de acompanhamento contribui para que a adolescente incorpore as relações sexuais ao seu cotidiano sem qualquer orientação sobre.      Paralelo a isso, ao afirmar que um a cada cinco bebês nascem de mães entre os 12 e 18 anos, o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) revela ainda um cenário o qual se acentua conforme a cor e a região do país, uma vez que 70% dessas mães são negras, e o Nordeste se configura como o local de maior exemplo de tais casos. Assim, desenvolve-se um cenário no qual a desigualdade atua diretamente na privação de direitos e, portanto, em poucas chances de desenvolvimento pessoal da jovem, a qual tem de adequar seus planos profissionais ou de estudo a uma maternidade inesperada.      Dessa forma, urge a ação do Ministério da Educação, na ampliação do Programa Saúde na Escola por meio de profissionais que desenvolvam um trabalho pedagógico com os alunos e seus familiares, a fim de esclarecer questões sobre a sexualidade, bem como intensificar a divulgação da Caderneta do Adolescente. Ademais, o Ministério da Saúde deve promover ações intersetoriais com as Prefeituras e o Sistema Único de Saúde na garantia do direito de pré-natais para jovens grávidas em situações de vulnerabilidade. Por fim, a mídia deve reforçar em suas programações a importância da utilização dos métodos anticonceptivos entre os adolescentes. Assim, visando a asseguração de seus direitos, poder-se-á minimizar os índices de gravidez entre as jovens.