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    O livro "Holocausto brasileiro", da jornalista Daniela Arbex, conta os horrores do Manicômio de Barbacena, onde eram internados não apenas doentes mentais, mas também pessoas que não eram aceitas socialmente. Diferentemente do livro, atualmente, pessoas excluídas socialmente não são internadas, mas enfrentam empecilhos para terem acesso à saúde. Dessa forma, a exclusão hodierna remete a preconceitos e, consequentemente, são gerados impactos para a saúde dos brasileiros no que tange à doenças perigosas, o que prejudica a qualidade de vida e o caráter democrático do Brasil.
          A princípio, é preciso partir do preconceito contra imigrantes. Sobre esse aspecto, há brasileiros que argumentam que os venezuelanos, por exemplo, não devem ter os mesmos direitos sociais que os outros cidadãos. Como resultado, ao terem o acesso à saúde dificultado, os estrangeiros que chegam doentes ao país podem disseminar vírus causadores de doenças como sarampo, como já foi observado em Roraima. Com efeito, isso poderia ser evitado se fosse oferecido um tratamento adequado a essas pessoas e vacinas para barrarem possíveis contágios. Observa-se, então, um prejuízo para toda a comunidade, pois, como afirmou o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é um corpo biológico que só funciona plenamente quando todos os direitos são garantidos, o que não é observado nesse caso.
    
          Somado a isso, existe também a exclusão pela orientação sexual. Nesse contexto, muitos indivíduos desse espectro social não são devidamente informados sobre formas de proteção condizentes às suas necessidades, como, por exemplo, que lésbicas também precisam de cuidados para evitarem doenças sexualmente transmissíveis. Logo, esse preconceito é um dos fatores que dificulta o controle de doenças incuráveis como a AIDS, além de ser uma ameaça ao perfil democrático do país, visto que a filósofa Marilena Chauí caracterizou como pertencente a esse sistema político apenas os países nos quais consta igualdade, participação e liberdade de todos em qualquer esfera social, ficando a minoria em questão claramente excluída desse processo.
    
          Fica claro, portanto, que o preconceito gera impactos para a saúde dos brasileiros. Para contorná-los, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social promover campanhas que reduzam a exclusão, por meio de propagandas televisivas mostrando histórias de estrangeiros residentes no Brasil, com vistas a despertar empatia e acolhimento por parte dos nativos. Ademais, o Ministério da Saúde deve promover um treinamento com profissionais da saúde, mediante cursos ministrados por médicos e psicólogos nos quais sejam ensinadas maneiras adequadas de repassar informações importantes, a fim de diminuir o preconceito e oferecer conhecimento para proteger a população de doenças graves. Assim, as implicações da exclusão social na saúde serão lembradas apenas em passagens como as do livro.