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    Sob a perspectiva antropológica de Claude Levi-Strauss, pai do estruturalismo, é necessário entender o mecanismo funcional de um corpo social para obter um maior entendimento dele e de seus conflitos. Nesse sentido, a problemática da violência no esporte brasileiro, lamentavelmente perceptível no cotidiano nacional, instiga a sociedade a refletir sobre suas causas e consequências. Assim, é lícito analisar que, no contexto brasileiro, o Estado, com sua ineficiência legislativa, além da conduta aética dos clubes esportivos, colaboram para a manutenção desse quadro. Convém ressaltar, antes de tudo, que é ingênuo acreditar que o Governo cumpre seu papel no que se refere à questão. A violência no esporte brasileiro, especialmente no futebol, seja ela física ou verbal, não é algo novo. É nítido que tal absurdo se perpetua há décadas, à medida que os criminosos atuantes nesse cenário não visualizam uma punição severa aos seus delitos e continuam a agir de maneira delinquente em ambientes esportivos e fora deles. Sob esse ponto de vista, muitos desses indivíduos são parte de torcidas organizadas que, motivadas pela fragilidade das leis, têm a sensação de que o crime e vandalismo compensam. Consequentemente, tamanho comportamento faz com que locais como estádios, por exemplo, sejam estigmatizados, o que leva ao afastamento de torcedores civilizados e desvirtuamento da mensagem de união e companheirismo do esporte. Outrossim, não há dúvidas de que a postura antiética dos clubes esportivos, que não se sentem parte responsável no combate ao problema, contribui para o impasse. Apesar de existir, de fato, punições a esses, como multas e até mesmo o banimento de competições, caso do Grêmio em um episódio lastimável de racismo em 2014, por exemplo, apenas medidas pontuais como essas são incapazes de por um fim nesse tipo de transtorno, que voltam a se repetir. Destarte, ao se eximir de parcela da culpa, uma vez que afirmam não responder por atitudes nocivas da torcida, por sua vez, os clubes transmitem uma mensagem negativa que se reflete no comportamento de torcedores vândalos. Prova disso são os deploráveis eventos de bestialidade no âmbito esportivo que ocorrem hoje no país. Torna-se evidente, portanto, que medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Justiça, enquanto órgão responsável por instruções de natureza legal, deve elaborar um pacote de medidas de combate à violência no esporte, que deverá conter o endurecimento de penas restritivas de liberdade, a formalização da responsabilidade dos clubes em posturas prejudiciais das torcidas e palestras educativas em escolas e eventos desportivos, por meio de um amplo debate entre Estado, sociedade civil, times e Confederações Esportivas. Tais determinações devem objetivar, principalmente, a redução de atitudes racistas, homofóbicas e que atentem contra a destruição do patrimônio e integridade física das pessoas. Dessa forma, será possível ser alcançada uma convivência pacífica no esporte brasileiro, que terá seus valores resgatados e oferecerá um ambiente saudável e seguro para todas as partes envolvidas.