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    Na Roma Antiga, a violência ocorrida nos jogos entre gladiadores no anfiteatro Coliseu era justificada baseada na legitimidade dos valores culturais romanos. De maneira análoga, na contemporaneidade brasileira, é notório semelhante comportamento no futebol, sobretudo por uma minoria de torcedores, que buscam defender seus times usando a violência para o feito. Nessa conjuntura, cabe analisar as causas que corroboram para o agravamento desse quadro, dentre elas o clubismo fanático e a normalização das práticas agressivas. 
         Em princípio, é importante compreender como o sentimentalismo pelas equipes futebolísticas atua feito obstáculo para superar essa problemática. Dentro dessa lógica, o filósofo Immanuel Kant discorre que o homem age conforme suas máximas, ou seja, conforme seu juízo particular. Nesse sentido, ao pensar apenas pelo próprio ponto de vista e considerar seu time "melhor", o torcedor fanático sustenta a ideia de que o time rival e, consequentemente, a sua torcida, são inimigos em potencial. Dessa maneira, essa visão colabora diretamente para a intolerância e para a divergência de opiniões, propiciando o uso da força como forma de mediar o conflito dentro e fora dos estádios.
        Ademais, é observado uma normatização da violência no país. Nesse viés, tal atitude se relaciona com o conceito de ''banalidade do mal'', criado pela socióloga Hannah Arendt: quando acontecida frequentemente, a manifestação violenta deixa de ser vista como errônea. Para que isso não se faça presente no contexto brasileiro, é necessário eixos educacionais que discutam sobre esse padrão vigorante, principalmente quando nota-se que a educação, segundo Kant, é fundamental para a construção do indivíduo. Em contraste, ações pedagógicas com esse objetivo são timidamente desenvolvidas nas salas de aula. Assim, ao não formar o pensamento crítico dos indivíduos acerca da violência, o ciclo vicioso de incorporação e reprodução da mesma permanece atuante. 
          Infere-se, portanto, que há obstáculos para minimizar a violência no esporte brasileiro. Para atenuar tal mau hábito, em primeiro lugar, os estádios de futebol devem continuar com as medidas de segurança já existentes, como o cadastramento de torcedores e a proibição da uniformização de torcidas organizadas dentro dos complexos esportivos. Aliado a isso, o Ministério da Educação deve criar um programa dentro da Base Nacional Comum Curricular que contemple a violência e suas demais formas de expressão, com o afinco de fazer os alunos refletirem e repudiarem tais atos. Essa proposta contribuirá para o raciocínio reflexivo do cidadão desde o ensino básico e, juntamente com a primeira, terá efeitos significativos para impedir que os estádios brasileiros tornem-se novos coliseus.