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    Confronto, violência e mortes. Esse era o cenário da Roma antiga, no período em que gladiadores se enfrentavam em torneios de luta. Não obstante, tal perspectiva muito se aproxima da atual realidade dos estádios de futebol no país. Nesse sentido, é preciso refletir sobre as possíveis causas e consequências desse processo.
        A priori, cabe pontuar que a violência manifesta nos campos de futebol é um dos reflexos da anomia em que o país se encontra. Segundo Émile Durkheim, a anomia é um estado social de ausência de regras e normas. Concomitantemente, a falta de planejamento e segurança nos eventos esportivos dificulta a identificação de suspeitos e sua consequente punição. Dessa forma, a ausência de condenação reforça a criminalidade, colocando o Brasil no primeiro lugar do ranking de mortes em brigas de torcidas organizadas, conforme atesta os dados do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Assim, o futebol que é um patrimônio nacional cultural perde seu status de "orgulho nacional" e os campos  deixam de ser uma alternativa de lazer .
         Ademais, convém frisar que segundo Roberto Romeiro Hryniewicz, autor da pesquisa de mestrado Torcida de futebol: adesão, alienação e violência - "não é a paixão pelo futebol que causa a violência entre torcedores, mas sim a maneira como as pessoas lidam com essa paixão." Destarte, entende-se que a falta de educação aliada ao uso indiscriminado de álcool e drogas nos campos de futebol fomenta a barbárie social. A exemplo disso, um episódio de repercussão mundial ocorrido no Recife, deflagrou a morte de um torcedor que faleceu após ser atingido por um vaso sanitário.
         Logo, infere -se que que urge a necessidade de se atenuar os conflitos nos estádios de futebol do país. Para reverter tal situação, é necessário que o Ministério do Esporte em parceria com os Clubes de futebol, invistam em prevenção e capacitação. Tal prevenção deve ser feita pela instalação de mais câmeras de segurança e pelo cadastramento dos pagantes que participam de torcidas organizadas, processo que pode ser realizado em conjunto com empresas privadas especializadas no ramo de esportes, que poderão ser isentas de seus impostos ao auxiliarem na capacitação dos profissionais de segurança e na organização dos eventos. Somente assim os estádios brasileiros deixarão de ser uma reprodução do que acontecia nos coliseus da Roma antiga.