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    O assassinato de Cléo Sóstenes em frente à sede da torcida palmeirense, em 1988, é considerado a primeira morte ligada à violência no futebol, além de confirmar que a violência esportiva não é uma questão atual no Brasil. É possível afirmar que a elitização do futebol brasileiro é uma das causas do crescimento das barbáries relacionadas aos esportes no país, trazendo como consequência uma generalização inadequada das torcidas organizadas do Brasil.
     A priori, a elitização do futebol é causa do crescimento das estatísticas de violência esportiva no Brasil. Na época de surgimento dos clubes brasileiros, período posterior à abolição da escravidão via Lei Áurea em 1888, a sociedade brasileira era ainda mais impregnada por um racismo oriundo de três séculos de exclusão dos negros. Dessa forma, os grandes clubes da época vetavam a participação de negros e mulatos como seus jogadores, pois o futebol era visto como um esporte da elite. De maneira análoga à elitização racial em 1920, o aumento nos preços dos ingressos para partidas de futebol mostra uma exclusão de pessoas pobres dos estádios, que podem ser manipuladas pela minoria vândala das torcidas organizadas a invadir estádios para reverenciar seu time pessoalmente, correndo o risco de virar mais um número na taxa de mortes num possível confronto com policiais despreparados e armados.
     Ademais, a generalização das torcidas organizadas é consequência dessa extrema violência esportiva no Brasil. Fatos sociais, conceito de Durkheim, são modos de agir e pensar impostos pela sociedade sobre os indivíduos; em consonância com o sociólogo, uma vez que diariamente são noticiados casos de brigas entre torcedores, de torcidas em confronto com a polícia e de invasões a estádios nas mídias, e sabendo que elas exercem uma extrema influência sobre nosso pensamento, a torcida organizada foi estereotipada de modo pejorativo e se tornou senso comum a descrição de torcedores como violentos e selvagens. Desse modo, embora o Artigo 13 do Estatuto do Torcedor afirme que “o torcedor tem direito à segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos”, policiais se aproveitam dessa visão para justificar tiros à queima roupa, xingamentos e agressões não só aos responsáveis por perturbar a ordem nos estádios, mas também às vítimas dos torcedores vândalos.
     Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que o CONAR faça uma parceria com os clubes de futebol brasileiros e, por meio dos subsídios destes clubes, sejam criadas campanhas que exaltem o verdadeiro papel do torcedor de se divertir  por meio do esporte, sempre com educação, tolerância e respeito ao bem público, e deixem claro que a selvageria dentro de estádios é obra de uma ínfima parte das torcidas organizadas e deve ser punida individualmente, a fim de que o ato de torcer não se torne vítima da violência de uma minoria e passe a ser repugnado e marginalizado.