Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

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    A Ilha da Utopia, idealizada por Thomas Morus, retrata uma civilização desprovida de violência e, então, altamente segura. De maneira díspar, na realidade brasileira do século XXI, percebe-se a inexistência desse lugar, uma vez que, até ambientes que deveriam ser altamente seguros, como os estádios de futebol, são frequentemente alvo de hostilidades, o que se configura um grave problema ao corpo social. Dentre os causadores dessa problemática, destacam-se a negligência estatal,bem como a habituação da agressão nesses ambientes. 
              Em primeiro plano,cabe notar que, apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar à integra seguridade em todos os ambientes, verifica-se que essa garantia não é efetivada, contexto que evidencia um acentuado descaso governamental. Prova dessa omissão é que apenas cerca de 1,4 porcento do produto interno bruto brasileiro, segundo cálculo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, é destinado a segurança pública, verba insuficiente para fornecer um policiamento satisfatório a todos os aparatos urbanos, dentre eles os estádios, aos 5570 municípios brasileiros. Assim, o fato de o Brasil ser o recordista mundial de mortes relacionadas ao futebol é uma das consequências dessa conjuntura alarmante.
                Outrossim, é imperativo salientar que a habituação da violência no esporte brasileiro configura-se um grande impasse. Tal conjuntura relaciona-se com a teoria da socióloga Hannah Arendt, a qual afirma que determinadas formas de agressão de tão repetidas tendem a se tornar não só comuns, como também não merecedoras de atenção pela sociedade. O conceito abordado materializa-se em um levantamento realizado pelo Portal R7 ao apontar que centenas de pessoas morrem por ano em brigas nos estádios. Dessa maneira, fica claro que os campos de ludopédio tornam-se, cada vez mais, análogos aos coliseus na Roma Antiga, onde a violência revelava-se como um espetáculo frequente.
                A análise crítica dos fatos sociais reflete a urgência de medidas para combater a violência no esporte brasileiro. Sendo assim, é necessário que o Tribunal de Contas da União direcione um maior volume de verbas ao Ministério da Segurança, mediante alterações nas Leis de Diretrizes Orçamentárias, com o fito de que haja capital disponível para o policiamento eficaz dos aparelhos citadinos, essencialmente os estádios futebolísticos, tendo em vista as altas taxas de hostilidade nesse local. Ademais, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social estimular o engajamento contra à constante violência no esporte, mediante criação de campanhas que poderiam ser divulgadas pela mídia televisiva, dado a sua responsabilidade social, bem como seu imenso alcance, com o objetivo de se desconstruir a intensa banalização dada a essa temática.