Cibercondria: a doença da era digital

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    ''Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.'' - A frase de J. Krishnamurti, filósofo indiano, muito tem a ver com as relações entre indivíduo, saúde e a era digital em que todos estão inseridos no limiar do século XXI. Nesse sentido, a problemática da cibercondria, prática que leva o indivíduo a realizar um autodiagnóstico da sua saúde com a ajuda da internet, lamentavelmente perceptível no cotidiano, instiga a sociedade a refletir sobre os desafios do combate à questão. Assim, é lícito afirmar que o Estado, com sua ineficiência administrativa, além da conduta imediatista de parte da sociedade moderna, colaboram para a perpetuação desse revés.  
      Primeiramente, é ingênuo acreditar que o Governo é isento de culpa no que se refere a práticas de risco relativas à cibercondria. Por esse ângulo, à medida que trabalha insuficientemente em políticas que facilitem o acesso da população à saúde pública e a médicos especialistas, por sua vez, o Estado, de modo irresponsável, torna-se parte do problema. Destarte, com a dificuldade em realizar consultas no precário Sistema Único de Saúde, parcela dos usuários do serviço recorre à web para sanar dúvidas em fontes questionáveis e, ao realizar um diagnóstico amador, coloca sua saúde em risco. Dessa forma, a internet amplia o já perigoso conceito de ''automedicação'' para algo tão nocivo quanto: a possibilidade de qualquer sujeito exercer o papel de um especialista da saúde. Prova disso é, segundo matéria do portal UOL de abril de 2018, 37% dos brasileiros que utilizam a rede ter pesquisado sintomas e, como resultado, ter chegado a doenças que já suspeitavam ter adquirido no momento.
    
     Outrossim, não há dúvidas de que a postura ansiosa de parcela da sociedade contribui para o impasse. É nítido que a cibercondria é potencializada pelo ritmo veloz do mundo contemporâneo, que afeta vários aspectos da vida do indivíduo, entre eles, a forma como o mesmo lida com a própria saúde. Desse modo, por questões de falta de tempo ou até mesmo medo, o sujeito vê na internet uma saída rápida, uma espécie de consulta instantânea. Sob esse aspecto, Zygmunt Bauman diz: ''A administração da vida afasta o homem da reflexão sobre o que é moral e saudável''. Dessa maneira, constata-se que a vivência contemporânea deixa a desejar em qualidade de vida e autocuidado. 
     Faz-se evidente, portanto, que ações são necessárias para alterar essa conjuntura. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde, por meio de um Plano Nacional de Combate à Cibercondria, deve determinar a presença de médicos especialistas, como dermatologistas e ginecologistas, nos postos de saúde. Tal medida facilitará o acesso da população a esses profissionais e, consequentemente, reduzirá as buscas perigosas na web. Além disso, tal Plano deve prever a realização de atividades que ajudem no bem-estar em escolas e Universidades, como yoga, que reduzirão os níveis de stress.