Cibercondria: a doença da era digital

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    Nichollas Carr, escritor norte-americano, em sua obra "Geração Superficial", afirma que a internet, embora tenha universalizado as informações, tem provocado impactos negativos em seus usuários notadamente na capacidade de reflexão sobre seus atos. É nesse contexto de inconsciência social que se assenta a problemática da cibercondria no Brasil e no mundo, a qual parece relacionada à falta de orientação dos internautas quanto ao adequado uso das redes virtuais, bem como, ao acesso deficitário da população brasileira ao sistema de saúde pública do país, provocando danos à sociedade. 
          Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de educação digital e em saúde nas escolas brasileiras esteja entre as causas da disseminação dessa patologia moderna. De acordo com Hannah Arendt, filósofa alemã, em seu livro "Eichmann em Jerusalém", o mal insere-se pela irreflexão daqueles que o praticam. Seguindo essa linha de pensamento, as instituições de ensino e as mídias, ao não exporem para os seus discentes e para a população o uso adequado das informações digitais, como a filtragem dos conteúdos de saúde da rede, possibilitam a manutenção da irreflexão social quanto aos impactos que o excesso de informações sobre doenças e medicações provocam em seus comportamentos. Isso estimula o medo patológico às doença, cibercondria, e a automedicação.
          Outrossim, o acesso limitado da população brasileira ao sistema de saúde pública e às consultas médicas agrava tal quadro. Segundo Aristóteles, em seu escrito "Ética à Nicômaco", a política deve ser usada de modo a garantir o bem-estar do corpo social. No entanto, observa-se que tal ideal não é devidamente praticado pelo poder público brasileiro, vide o precário acesso social ao acompanhamento médico, o que estimula a busca populacional dos seus questionamentos de saúde nas redes digitais, a exemplo do Google. Como consequência disso, há no Brasil a disseminação da prática do autodiagnóstico e da automedicação - responsável pelo alto índice de intoxicação humana no país, segundo o Conselho Federal de Farmácia - prejudiciais à saúde da população. 
          Dessa forma, é mister que o estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem a disseminação da cibercondria no país. Destarte, o Governo, através dos Ministérios da Educação e da Saúde, deve promover o diálogo sobre educação digital e em saúde nas escolas e nas mídias, mediante o desenvolvimento de oficinas, aulas e campanhas midiáticas nas instituições de ensino com especialistas em informática e profissionais de saúde, para estimular a capacidade crítica dos internautas brasileiros quanto aos perigos das informações de saúde na rede virtual. Por fim, o Governo Federal deve ampliar o acesso da população à saúde por meio de mutirões de saúde e melhora da rede básica, visando ao bem-estar dos seus cidadãos.