Cibercondria: a doença da era digital

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    A terceira revolução industrial que ocorreu em meados do século passado, foi caracterizada pelas inovações no campo da informação, a qual possui na internet uma de suas principais conquistas. Dessarte, na contemporaneidade, é possível perceber diversas mudanças comportamentais na sociedade advindas da web. A cibercondria, dessa maneira, é um resultado dessas alterações caracterizada por ser a doença da era digital. À vista disso, esse cenário demonstra uma sociedade que possui um acesso à internet que corrobora em tomadas de decisões, além de ecoar a falta de um compromisso ético nas relações que permeiam essa realidade.
               A priori, segundo dados divulgados pelo IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estáticas- há um aumento anual de pessoas que utilizam a web. Ainda, de acordo com o instituto, houve, em 2018, uma adesão de 10 milhões de brasileiros, número considerado expressivo. Essa conjunção, desse modo, evidencia a popularização ao acesso e, consequentemente, uma facilidade de interação com diversos sites, blogs, os quais preconizam na obtenção da informação de forma indiscriminada. A cibercondria, por sua vez, é um produto desse acesso sem restrições, uma vez que, esse ocasiona uma informação superficial acerca de algum assunto e, por fim, torna-se uma verdade que pode corroborar em atitudes, como tomada de decisões relacionadas ao consumo de um produto, por exemplo. 
             Outrossim, é notório que em alguns hábitos existem a necessidade de serem articulados por  pessoas que possuem competência para permiti-los, como na utilização de medicamentos, os quais devem ser deliberados por um profissional da área da saúde. Todavia, a conduta adotada reverbera o que elucidou o filosófico Henrique de Lima, no Enigma da Modernidade, uma antítese entre o conhecimento teórico e comportamento ético, ou seja, mesmo possuindo avanços no conhecimento, a sociedade, no entanto, não o expressa em suas atitudes. Nessa perspectiva, se estabelece a cibercondria, a qual é fomentada pela falta de ética nas relações que permeiam essa situação de acesso à informação.
             Logo, é necessário que as ONGs- organizações não governamentais- venham, por meio de palestras, elucidar para as pessoas que utilizam a internet, sobre a importância de não desenvolverem o hábito de recorrer à web para todos as questões, como qual medicamento utilizar, por exemplo. Para isso, é favorável convidar profissionais que estudam o comportamento do homem, a fim de que os usuários construam um conhecimento sólido sobre a cibercondria e, assim, desenvolvam ações mais responsáveis a partir das informações provindas da internet, que sejam, no que lhe concerne, validadas pela ética. Dessa forma, atenuar-se-á essa doença da era digital na sociedade.