Cibercondria: a doença da era digital

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    Brás Cubas, em suas Memórias Póstumas, fixou a invenção de um emplastro que remediaria a hipocondria. Fora do romance machadiano, é fato que a necessidade de tal medicamento é, na contemporaneidade, colossal, já que a hipocondria, aprimorada pela era digital, tornou-se a recorrente cibercondria. Essa nociva recorrência se dá devido à enorme e inconsciente da população à doença; e, também, pela facilidade de obter medicamentos no Brasil. 
       Antes de tudo, cabe ressaltar que a inconsciente adesão populacional à cibercondria é um fator que permeabiliza a sociedade a esse antígeno. Segundo o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, 79% dos brasileiros maiores de 16 anos se automedicam. É inegável, também, que muitas das pessoas que compõem esse contingente não sabem da nocividade desse ato. Assim, devido à essa ínfima, ou nenhuma, informação, realizam a automedicação indiscriminada e inconscientemente.
       Além disso, é necessário constatar que a facilidade de obter medicamentos no País é, também, um fator que catalisa a profusão da cibercondria. Segundo o médico Marcos Gaz, muitos medicamentos são vendidos, no Brasil, sem a necessidade de orientação farmacêutica. Desse modo, muitas pessoas, ao lerem ou se informarem erroneamente nas redes sociais acerca sobre a eventual eficácia do medicamento, compram, naturalmente, essas substâncias. Devido a essa facilidade, essa ação é recorrentemente praticada pela população.
       Portanto, é mister a manutenção do cenário vigente. Para isso, o Ministério da Educação deve, com apoio dos meios de comunicação, criar propagandas digitais e televisivas sobre a temática da cibercondria, de modo a conscientizar a população da sua nocividade. Ademais, o Legislativo deve criar leis que garantam a imperiosidade de orientações farmacêuticas para compra de medicamentos, o que assegurará a diminuição do uso e compra indiscriminados. Dessa maneira, poder-se-á honrar o combate urgido por Cubas.