Cibercondria: a doença da era digital

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    A terceira Revolução Industrial ficou conhecida como a revolução do meio técnico-científico- informacional e foi a partir dela que a internet se expandiu e passou a fazer parte da rotina de grande parte dos brasileiros. Nesse contexto, além de uma ferramenta de comunicação, a rede mundial de computadores se tornou uma espécie de consultório individual no qual os internautas pesquisam sintomas e doenças e chegam a diagnósticos arbitrários. Consequentemente, esse comportamento, denominado cibercondria, põe em risco a saúde individual e coletiva.
          Em primeiro lugar, é preciso estabelecer os riscos que esse comportamento traz. Nesse sentido, uma pessoa que pesquisa seus sintomas online pode se deparar com uma infinidade de doenças, visto que muitas têm sintomas parecidos. Logo, ela pode se assustar com os resultados e achar que tem uma doença grave, ou pode ser convencida de que não tem nada sério e não se tratar, correndo o risco de ter seu quadro agravado. Além disso, ao agir dessa forma, muitas pessoas se acham aptas a se automedicar e consomem remédios que podem ser prejudiciais. Como prova, 79% dos brasileiros com mais de 16 anos se automedica, segundo o ICTQ, instituto da área farmacêutica. Isso demonstra como está disseminado esse comportamento na população e como a internet tem responsabilidade nisso.
          Outrossim, além dos riscos individuais, é indispensável pensar nas consequências coletivas que a cibercondria pode acarretar. Dessa forma, ao não conferir tratamento adequado às doenças, existe a possibilidade de disseminação dos agentes patogênicos, tendo em vista que muitas patologias são transmissíveis. Assim, uma doença que poderia ser controlada individualmente, pode se espalhar e até se tornar uma epidemia. Percebe-se, então, que o ser humano, por ser um "animal político", conforme definiu Aristóteles, foi feito para viver em comunidade e deve pensar de forma coletiva. Por essa razão, antes de acreditar em tudo que lê online e dispensar a figura do profissional especializado, o indivíduo deve pensar que pode prejudicar outras pessoas além de si mesmo.
          Fica claro, portanto, que o hábito de se "consultar online" é nocivo à sociedade. Para reverter essa situação, o Ministério da Saúde pode emitir um decreto exigindo que todos os sites que disponibilizem informações sobre doenças devem anexar, em destaque, uma advertência declarando a necessidade de se consultar um profissional da área para certeza do diagnóstico. Em soma, o Ministério da Educação deve incluir na grade curricular aulas sobre os perigos da automedicação. Por meio de palestras com médicos e farmacêuticos e explorando o tema em feiras de ciências, os alunos poderão ser conscientizados e orientados a usar a internet como complemento na busca de informações e não como guia definitivo na prescrição de remédios e diagnósticos de doenças.