Cibercondria: a doença da era digital

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    No início de 2019, pode ser observado, mais uma vez, o reflexo da crise de saúde a qual o Brasil está inserido. Com o retorno dos médicos cubanos ao seu país de origem, um número questionável de médicos brasileiros se apresentou para trabalhar em áreas de difícil acesso e baixos recursos. Afinal, se o acesso à saúde no Brasil ainda é um artigo de luxo, não é de se admirar que a cibercondria venha aumentando, e cada vez mais pessoas busquem soluções para doenças no "oráculo" do século 21.
    Primeiramente, o acesso relativamente fácil aos remédios nas cidades, aliado a uma saúde pública deficitária têm facilitado a automedicação como "solução" rápida para qualquer enfermidade. Com efeito, enquanto em países, como a Austrália, é necessário uma receita até para a compra de pílulas anticoncepcionais, não é difícil observar a quantidade de pessoas que adquirem remédios - inclusive os de tarja vermelha - sem nenhuma prescrição médica no Brasil. No entanto, a oferta de serviços de saúde em países desenvolvidos é corretamente equacionada à demanda da sociedade, facilitando o acesso à consultas e exames de maneira rápida e eficiente. 
    Em segundo lugar, a falta de confiança nos médicos juntamente com os elevados preços dos remédios e sua indisponibilidade no SUS favorecem a busca por curas alternativas. Apesar de não apresentarem a devida comprovação científica, essa medicina alternativa, rechaçada por muitos e baseada no saber popular, tem atuado de maneira constante e eficiente à séculos, particularmente nos postos não preenchidos desde a saída dos médicos cubanos. 
    É necessário, portanto, que o Poder Executivo coordene melhor os recursos materiais e humanos disponíveis, oferecendo médicos de maneira rápida e eficiente e subvencionando medicamentos, a fim de atender a todos, principalmente os mais carentes. Afinal, embora a cibercondria seja um problema crescente, o Brasil tem cerca de 40% de pacientes desconectados, que, portanto, ainda não conhecem o Dr. Google.