Cibercondria: a doença da era digital

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    A etimologia da palavra hipocondria refere-se a um transtorno mental, no qual o paciente afirma possuir uma doença sem antes ter o diagnóstico de um médico ou especialista. Atualmente, o avanço da tecnologia possibilitou o surgimento de um novo problema, a cibercondria, que é uma ferramenta utilizada para automedicação. Assim, a grande procura na internet por consequências de determinados sintomas, aliado ao fácil acesso a medicamentos, resulta numa automedicação errônea por grande parcela da população, algo que, se não resolvido, pode levar a graves problemas de saúde no futuro.
          A priori, é importante ressaltar a crescente busca por um diagnóstico rápido e acessível, que é facilmente encontrado na internet. De acordo com Arthur Schopenhauer, o maior erro do homem é sacrificar sua própria saúde em troca de outra vantagem. Isto posto, a vida corrida da maioria da população leva a muitas pessoas a procurarem, nos meios de comunicação, alternativas fáceis e baratas para a resolução de certos sintomas, o que ocasiona numa automedicação sem prescrição médica, algo que pode resultar em graves problemas de saúde. Sendo assim, o tempo economizado pelo indivíduo em procurar uma solução rápida para seu suposto problema de saúde será posteriormente compensado com doenças complicadas, resultantes da automedicação.
    
          Outrossim, a facilidade de conseguir medicamentos constitui outra problemática vivida atualmente. Para o cardiologista Marcos Vinícius Gaz, do Hospital Israelita Albert Einstein, o fácil acesso é uma das razões para o uso indiscriminado de remédios no Brasil. Por conseguinte, as pessoas que se autodiagnosticam - após uma busca persistente na internet por sintomas - tendem a procurar, em farmácias, os medicamentos que eles julgam necessários para se sentir melhor, conseguindo-os sem prescrição médica. Desse modo, o acesso simples a remédios pode levar a uma automedicação errônea pelas pessoas que o fazem, algo que é agravado, infelizmente, em pessoas hipocôndrias, que estão sempre em busca de drogas que resolvam suas doenças, frequentemente, inexistentes.
    
          Logo, é evidente que o fácil acesso a remédios e a automedicação são problemáticas atuais que necessitam ser resolvidas. Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Saúde intensifique a fiscalização da venda de medicamentos sem prescrição de um especialista, por meio da venda de drogas somente autorizada com o registro médico, para que o uso indiscriminado de remédios no Brasil diminua. Ademais, também é interessante que o Ministério da Saúde, com auxílio de ONG's, promova uma conscientização populacional sobre os riscos da automedicação, por meio de palestras e debates, a fim de diminuir os casos de pessoas que cometem tal erro. Desse maneira, será possível decrescer o número de pessoas que adoecem devido a um consumo irresponsável e indevido de medicamentos.