Cibercondria: a doença da era digital

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    Com a chegada da Revolução Técnico-Científica-Informacional, o padrão de vida da população foi se modificando de acordo com os surgimentos tecnológicos e suas inserções no meio social. Nesse sentido, a internet, uma das principais inovações criadas pelo homem, apesar de se mostrar benéfica, pode apresentar algumas lacunas como ser fonte do autodiagnóstico de doenças, os quais são baseadas em pesquisas nessa ferramenta.  Assim, medidas educacionais são imprescindíveis para atenuar esse empecilho. 
         Em primeiro plano, insta salientar que a falta de conhecimento é um fator primordial no que tange à cibercondria. Isso porque as pessoas leigas, na maioria das vezes, não procuram um profissional da saúde, ficando apenas com as informações que as páginas da internet disseminam. Consoante o Instituto de Pós-Graduação Para Profissionais de Mercado Farmacêutico (ICTQ), aproximadamente 80% das pessoas com mais de 16 anos praticam a automedicação. Desse modo, evidencia-se um aumento na gravidade da doença, já que a prática de ingerir drogas sem aconselhamento médico faz com que ocorra a seleção de superbactérias no organismo, que são aqueles resistentes à antibióticos e, consequentemente, agravante do problema.
         Outrossim, há de se destacar que a diminuição da relação entre o médico e o paciente nos hospitais favorece o aumento da autoconsulta. Nessa perspectiva, o conceito de modernidade líquida, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, ilustra essa realidade da contemporaneidade, uma vez que as relações entre as pessoas, hodiernamente, não são sólidas, ou seja, podem se transformar constantemente. Como consequência, essa "liquidez" fragiliza as interações interpessoais dentro de uma comunidade, o que faz um paradoxo à Teoria da Coesão Social de Émile Durkheim, o qual diz que "a sociedade é um todo integrado".
         Destarte, são perceptíveis os fatores que corroboram o desenvolvimento da cibercondria. Nesse viés, a atuação do Ministério da Educação e da Saúde é fundamental a esse quadro. É preciso que as citadas esferas públicas trabalhem em conjunto estimulando a disseminação do conhecimento concernente ao tema por intermédio de palestras nas escolas e detalhamento deste nas redes sociais, com a finalidade de promover esclarecimentos e informações necessárias para que o cidadão fique ciente dos malefícios da autodiagnosticação. Com efeito, espera-se que os ministérios mencionados, em consonância à população, possam suplantar a cibecondria: a doença da era digital.