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    "Profundíssimamente hipocondríaco; Este ambiente me causa repugnância", afirma Augusto dos Anjos em "Psicologia de um vencido". De modo análogo ao lirismo do poeta, hodiernamente, pode-se afirmar que ao invés de hipocondria, outro fenômeno toma seu lugar, a cibercondria, isto é, a obtenção de diagnósticos clínicos pela internet. O ambiente, contudo, causa ausência de idas ao médico e estimula a automedicação. Urge, portanto, a problemática da cibercondria como doença da era digital. 
              Mormente, é necessário compreender que a hipocondria moderna provoca a ausência de idas aos profissionais da saúde. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se numa "Modernidade líquida" que valoriza o instantâneo, criando um cenário imediatista. À luz desse pensamento, sua aplicação torna-se válida quando o impasse é cibercondria, haja vista que, o autodiagnóstico online é prático e, sobretudo, rápido -qualidade esta valorizada pelos contemporâneos. Entretanto, a negligência pela busca desses profissionais desencadeia em imbróglios à posteriori, como a busca por auto-tratamento. 
    
             Ademais, a automedicação atua como consequência da conjuntura imediatista. Para o filósofo Francis Bacon, o conhecimento científico gera o progresso da humanidade. Não obstante, é possível perceber que tal lógica não é aplicável ao cenário "ciberpocondríaco", uma vez que, o fácil acesso ao conhecimento provocado pela internet facilita a medicação por conta própria, pois, a informação necessária está contida em smartphones e notebooks. Destarte, faz-se necessário destacar que tal prática é perigosa, tendo em vista que, o conhecimento leigo, baseado apenas na web, pode levar à ingestão de substâncias não recomendadas para determinado quadro clínico. 
              Fica claro, portanto, que a ciberpocondria é uma doença da era digital e gera consequências. Cabe aos Governos Municipais e Estaduais, aliados à União, lançarem campanhas socioeducativas que, por sua vez, serão veiculadas em setores midiáticos nacionais, incentivando a ida a profissionais da saúde com o viés de evitar o número de autodiagnósticos. Outrossim, o Ministério da Saúde deve, também, propagar campanhas em seu perfil de mídias sociais, desta vez, visando à conscientização acerca da automedicação e seus riscos. Assim, o impasse será constantemente minimizado.