Cibercondria: a doença da era digital

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    É indubitável que o advento da internet facilitou o acesso à informação. Contudo, esse acesso dinamizado intensifica a condição de indivíduos hipocondríacos: quando essa doença atinge o meio tecnológico, ela passa a ser chamada de cibercondria, sendo preocupante à sua dimensão, por causa da vasta disponibilidade de informações na internet. No Brasil, as causas para a intensificação da cibercondria estão no anseio de terminar uma ansiedade pessoal, aliado ao comodismo e têm como consequências efeitos colaterais da automedicação e desconfiança nos profissionais da saúde.
          Primeiramente, é necessário entender como o comodismo influencia na magnificação da cibercondria. De acordo com dados de uma pesquisa do Centro de Estudos sobre Tecnologia da Informação e Comunicação, 33% dos usuários usam site de busca para procurar informações relacionadas à saúde. Isso exemplifica a negligência da população, pois é mais fácil usar a internet do que procurar um médico. Ademais, quando confrontados por um diagnóstico divergente do encontrado por eles, os cibercondríacos acreditam que ou o médico está desatualizado, ou é incapaz de exercer a profissão. Dessa forma, os indivíduos portadores dessa condição não tem confiança nos profissionais, sendo fundamental a prevenção dessa doença por meio da sua exposição.
          Além disso, essa utilização exacerbada da internet pelos cibercondríacos pode tornar-se um círculo vicioso de ansiedade. Em 2008, um estudo da Microsoft descobriu que autodiagnósticos feitos a partir de ferramentas de busca online habitualmente levam os usuários a concluir o pior. Assim, as pessoas ao procurarem seus sintomas na internet acham doenças mais "perigosas" do que as que realmente estão, um exemplo disso é o câncer. Com efeito, os indivíduos ficam ansiosos sobre sua condição e deprimidos, o que pode ser intensificado pelo uso errôneo de remédios, causando efeitos colaterais como doenças derivadas do estresse e alterando o seu estado emocional.
          Infere-se, portanto, que a cibercondria no Brasil decorre do comodismo e falhas na sua prevenção, e gera um círculo vicioso de ansiedade. Nesse sentido, urge que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, promovam cartilhas de prevenção à cibercondria que mostrem as consequências da automedicação pelas informações obtidas na internet, além de expor a inexatidão dessas informações por meio do estudo feito pela Microsoft. Essa ação pode ser realizada mediante a entrega dessas cartilhas em escolas e parques, a fim de evitar que jovens, adultos e idosos sejam atingidos pela doença ao serem conscientizados quanto aos seus males. Desse modo, os benefícios da internet poderão ser obtidos e servirão como meio de auxílio para a saúde, não como um autodiagnóstico irrefutável.