Cibercondria: a doença da era digital

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    A obra ''O Doente Imaginário'', de Moliére, descreve a relação entre um médico e um idoso hipocondríaco, vítima de suas doenças imaginárias. Assim, nos dias atuais, a cibercondria têm feito 40% da população se autodiagnosticar por meio da internet. Nesse sentido, percebe-se o aumento de adversidades naqueles que são mais ansiosos por natureza e buscam por soluções imediatas. Ocorre que, na tentativa de se informar mais sobre sua doença, se deparam com centenas de explicações, desenvolvendo ainda mais ansiedade e, muita das vezes, recorrendo a automedicação. Por isso, torna-se necessário o debate acerca das implicações dessa nova patologia na vida dos indivíduos.
           Segundo estatísticas do Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e Comunicação, órgão que produz indicadores sobre o uso da Internet no Brasil, 33% dos usuários revelaram que usam sites de busca para informações sobre à saúde, sem se preocupar com a veracidade da informação. Diante disso, conclusões precipitadas em virtude de informes errôneos publicados na internet, corroboram para cenários de preocupação extrema, na qual acarreta o aumento nos quadros de depressão, ansiedade e da própria cibercondria. Subsequente, fomentando o uso de medicamentos sem consulta médica. 
           Vale ressaltar ainda, que o Brasil é recordista mundial em automedicação. De acordo com pesquisa de 2016 feita pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), 72% dos brasileiros se medicam por conta própria. Outro dado relevante mostra que no Brasil, 65% dos remédios são isentos de prescrição médica. Destarte, a facilidade na obtenção desses fármacos pode engendrar prejuízos ao seu usuário, como o descaso no conseguimento de antibióticos. Deste modo, acarretando no surgimento de ''super bactérias'' causadoras de infecções e diversas patologias. Por conseguinte, pondo a vida de toda a sociedade em risco. 
          Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter à situação. Diante disso, o Ministério da Educação, em parceria com o da Saúde, deve fomentar um projeto sobre saúde nas escolas de todo país, que leve conhecimento acerca dos perigos de se realizar autodiagnósticos pela internet e da importância dos profissionais da saúde, através de debates e palestras, de modo a tornar os estudantes mais conscientes. Além disso, o Ministério da Saúde em convênio com a ANVISA, devem realizar fiscalizações frequentes em drogarias, assim como na comercialização de medicação online, engatado à criação de um programa que vise distribuir cartilhas que alertem o risco da automedicação, visando findar o problema da venda indiscriminada de fármacos, através do conhecimento. Só assim, edificaremos uma sociedade apta a culminar a cibercondria.