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    Sabe-se que a hipocondria é uma patologia descoberta muito antes da era digital. Mais de um século antes do surgimento do primeiro computador, Brás Cubas, famoso personagem do realista Machado de Assis, foi representado gastando os últimos anos de sua vida a procura de um remédio que curasse todos os males. Todavia, os avanços tecnológicos do século XXI, ao facilitarem o acesso à informação, catalizaram o progresso e redefiniram o conceito da doença, que achou na grande rede as condições propícias para se propagar.
          Uma das razões para essa estreita relação estabelecida entre o universo binário e o mal fisiológico em tela é a dinâmica acelerada da sociedade atual. As pessoas ficam tão envolvidas em suas preocupações diárias que acabam por preterir a própria saúde, recorrendo a atalhos na busca pelo bem-estar. Resultado: quase 80% dos brasileiros acima de 16 anos se automedicam.
          Isto posto, mostra-se essencial a intervenção Estatal no controle da causa. Cabe ao Ministério da Saúde gerenciar campanhas de conscientização que atinjam os mais diversos substratos da população, de modo a alertar sobre os riscos do autodiagnóstico. Ademais, faz-se necessária uma maior atuação do Conselho Federal de Farmácia, coordenando suas unidades estaduais, a fim de intensificar a fiscalização sobre a venda de medicamento sem a devida prescrição médica.
    
          Ainda neste ensejo, o investimento na Saúde deve ser tratado como prioridade de governo em todas as instâncias federativas. A partir do momento que os hospitais e demais unidades de atendimento do país contarem com recursos humanos e materiais condizentes com a necessidade, a tendência será um atendimento mais eficiente que não comprometa em demasia a rotina do paciente. Destarte, a tecnologia da informação poderá seguir em plena evolução, desde que a mentalidade dos cidadãos e o Sistema de Saúde progridam na mesma cadência.