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    A intensificação do êxodo rural, propriciada pela Revolução Industrial (1760) na Inglaterra, ensejou um substancial aumento populacional nos centros urbanos, a fim de suprir a demanda de contingente operário. Todavia, o incremento das forças produtivas não foi acompanhado de ações estatais pautadas na devida inserção comunitária desses indivíduos. Nesse sentido, o deficit habitacional, seja quantitativo, seja qualitativo, insurge, hodiernamente no Brasil, como produto de uma tendência histórico-cultural de mercantilização dos hipossuficientes. No espectro prático, tal fato é perpetuado pela negligência governamental e escassez de anseio civil. 
           Deve-se pontuar, a princípio, que a inexistência de domicílios suficientes para atendimento integral da quantidade de habitantes atual é consequência de uma administração pública ineficaz, haja vista a insatisfatória aplicação de políticas públicas direcionadas à inclusão desses sujeitos. Isso ocorre porque não emergiu um Estado de Bem-Estar Social no país, como assevera Kazuo Nakano, urbanista brasileiro contemporâneo, o qual encontraria-se regido pela garantia de direitos sociais, como o de uma moradia adequada, previsto no artigo 6º da Constituição Federal de 1988. Desse modo, é desvelada uma atividade estatal que pouco tange ao respeito ao cidadão, mantendo a estigmatização dos moradores de rua e consolidando um estado social arcaico em termos humanitários. 
           Coadunado a isso, convém-se ressaltar que a presença expressiva de periferias nas cidades é corroborada pela falta de reivindicação civil. Essa conjuntura é influenciada pela relativa omissão de instituições sociais, a exemplo da escola e mídia, que não promovem, satisfatoriamente, discussões calcadas na problemática, com o propósito de conscientizar acerca da inconstitucionalidade dessa. Assim, a reversão desse intempérie é interditada, pois, de acordo com Karl Marx, sociólogo prussiano do século XIX, a indignação popular é a locomotiva de transformações. 
           Portanto, é fulcral que as escolas perpetrem palestras, mediante subsídio estatal e acadêmico, embasadas nos testemunhos de moradores de ruas e zonas periféricas e com participação de urbanistas especializados no tema. Tal trabalho deve ter por finalidade a evidenciação das mazelas que acometem esse público e o incentivo aos corpos escolares a mobilizarem-se em cobrança ao Poder Público. Dessa forma, é possível romper com a exclusão legada pela Revolução Industrial.