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    O filme "Era O Hotel Cambridge", retrata a dura e sofrida rotina de trabalhadores brasileiros e estrangeiros sem tetos, em um velho edifício abandonado, no centro de São Paulo. Nesse sentido, tal problemática, fora do âmbito cinematográfico, vem ganhando grandes e preocupantes proporções nos últimos anos no Brasil. Dentre os principais motivos para o recrudescimento da questão, destacam-se a desorientada ocupação histórica do território canarinho e o fator econômica.
      A priori, é notório que uma das raízes do problema é a apropriação deficiente do território nacional. Isso decorre, lamentavelmente, devido a criação da Lei de Terras de 1850, na qual concedia o direito da posse da terra apenas àqueles que pagassem por ela, atrelado a isso, na contemporaneidade, o não cumprimento pleno, na prática, do direito à moradia pelo Estado impulsiona as disparidades. Tal situação rompe com o conceito rousseauniano de contato social, em que o Governo, por meio do poder, manteria as regras e vantagens igualmente para todos. Logo, é necessário a criação de mecanismos para a promoção da propriedade privada aos necessitados. 
      Além disso, nota-se, ainda, que o fator econômico intensifica a epidemia social. Isso acontece, infelizmente, porque a crise financeira vivenciada pelo país nos últimos anos dificulta a aquisição de casas pelas famílias, sobretudo, carentes, como aponta a pesquisadora da Fundação João Pinheiro, Luiza Souza, em que além do custo dos lares ter aumentado no período de estagnação, a instabilidade levou a corrosão do poder de compra dos indivíduos. Dessa forma, a coabitação familiar e o adensamento excessivo de residentes em imóveis alugados intensificam-se e tornam-se , praticamente, estáveis como indica dados da FIPE ( Fundação Instituto de Pesquisas), onde uma família de renda média precisaria de cerca de 14 anos para comprar um imóvel de setenta metros quadrados. 
      Infere-se, portanto, que a adoção de medidas capazes de erradicar o déficit habitacional tornam-se imprescindível.Faz-se necessário que a governança, na figura do Ministério do Desenvolvimento Social, crie um programa, de abrangência nacional, direcionada a grupos familiares com renda inferior a 1,5 salários mínimos, que prime essencialmente na reformação e distribuição de imóveis desocupados e enjeitados, com a finalidade de promover o princípio da moradia e o exercício cabal da cidadania. Somente assim o desprovimento de domicílios tornar-se-á meramente abstrato.