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    Nacionalismo envergonhado 
          Na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que seria apenas uma questão de tempo até o Brasil converter-se em uma nação desenvolvida. Hodiernamente, porém, é provável que Policarpo reconsiderasse sua posição, pois a habitação precária, situação vivida por muitos brasileiros, é um dos aspectos mais lamentáveis que podem existir em uma sociedade. Esse cenário perdura, principalmente, pela inobservância do Estado somada à desorganização da sociedade. 
           Primeiramente, é notório que o a negligência do governo está entre as raízes do problema. De acordo com o economista inglês John Maynard Keynes, é dever do Estado suprir as necessidades básicas de seus cidadãos e assegurar o bem-estar destes. Contudo, o poder público vem a décadas ignorando sua responsabilidade de garantir moradia de qualidade para a população carente e, por esse motivo, milhares de indivíduos residem em situação insalubre, correndo até mesmo risco de vida. Desse modo, a inobservância do Estado em cumprir sua função é a principal causa desse preocupante panorama.  
            Além disso, a omissão de alguns setores da sociedade é um entrave a resolução desse fenômeno. Segundo o poeta e dramaturgo francês Victor-Marie Hugo, entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há certa cumplicidade vergonhosa. Nesse sentido, a postura negligente de importantes agentes sociais, como igrejas e meios de comunicação, enfraquece a luta pelo direito à habitação de qualidade, visto que tais instituições executam o importante papel de aglutinar e persuadir multidões em prol de um ideal. Logo, uma participação ativa desses agentes é fundamental para reverter essa conjuntura. 
           Denota-se, portanto, que solucionar o déficit habitacional constitui um sério desafio para o país. Posto isso, é imperativo que o Estado e organizações não governamentais atuem para solucionar a problemática. Ao Estado, na figura de Poder Executivo, compete a liberação de financiamentos sem juros para a construção de casas populares, com o intuito de permitir que famílias que vivem em situação de risco possam adquirir casa própria. Paralelamente, escolas, igrejas, sindicatos e jornais devem se unir em um grande pacto nacional pela habitação pública, organizando mutirões para reformar e construir casas para a população carente. Assim, com Estado e sociedade civil e unindo forças em prol de um país mais justo e humano, construir-se-á o Brasil que Policarpo Quaresma tanto exaltava.